Hillary e Obama não mudarão política sobre Cuba, diz Fidel

Nova reflexão de presidente cubano critica pré-candidatos democratas, que debatem a questão cubana

Reuters e Efe,

28 de agosto de 2007 | 14h03

O presidente cubano, Fidel Castro, advertiu nesta terça-feira, 28, que ninguém deve ter ilusões sobre mudanças na política dos Estados Unidos em relação a Cuba se os candidatos democratas Hillary Clinton ou Barack Obama chegarem à Casa Branca nas eleições de 2008.  Veja também:  Leia o artigo na íntegra Leia a íntegra dos artigos assinados por Fidel Castro "Hoje se fala que uma dupla aparentemente invencível poderia ser criada com Hillary presidente e Obama vice. Ambos se sentem no dever sagrado de exigir um 'governo democrático em Cuba''. Não estão fazendo política; estão jogando baralho numa tarde de domingo", escreveu Fidel em um texto publicado na primeira página do jornal Granma, do Partido Comunista.Na semana passada, Obama introduziu a questão cubana na campanha eleitoral, propondo uma suavização das restrições de viagem à ilha.Hillary Clinton, sua principal rival à indicação pelo Partido Democrata, defendeu por sua vez a manutenção do embargo e das sanções impostas pelos EUA há 45 anos sobre o governo comunista de Cuba.As declarações de Obama foram aplaudidas na semana passada pelo chanceler cubano, Felipe Pérez Roque. No artigo, Fidel diz que o ex-vice-presidente Al Gore é o único que pode impedir a indicação democrata de Hillary Clinton ou Obama para concorrer à Presidência, mas afirma duvidar que Gore, que concorreu às eleições de 2000, concorra outra vez."Quando foi candidato, aliás, cometeu o erro de suspirar por ''uma Cuba democrática", escreveu.Fidel, 81 anos, transferiu em julho do ano passado o poder ao irmão Raúl, 76 anos, depois de uma cirurgia no sistema digestivo. Desde então ele não é visto em público, e seu futuro político é incerto. Presidentes americanosEm seu editorial de terça-feira, o 42.º desde que começou a escrever para o Granma, em março, Fidel falou sobre alguns dos nove presidentes americanos com quem conviveu desde o triunfo de sua revolução, em 1959.Seu favorito, contou, foi Jimmy Carter, o democrata que "por motivos éticos e religiosos não foi cúmplice do brutal terrorismo contra Cuba". Também ressaltou que Gerald Ford (1974-1977) - a quem se refere como um "presidente simbólico", porque substituiu Richard Nixon após o escândalo do Watergate - "proibiu a utilização de funcionários dos Estados Unidos para assassinar dirigentes cubanos". Fidel criticou ainda o sistema eleitoral americano, que permite "ter uma minoria de votos e ganhar a Presidência. Foi o que aconteceu a (George W.) Bush. Contar com a maioria e perder a Presidência foi o que aconteceu com Gore". Assim, o líder cubano acrescenta a importância do Estado da Flórida - onde se concentra o maior número de exilados anticastristas -, que deu a vitória a Bush, mas, em seu caso, "foi necessária também a fraude eleitoral". Em sua nova reflexão, Fidel se remonta ao presidente Eisenhower, "nada oposto ao terrorismo anticubano, mas o iniciador", e lembra que, para zombar dele, o guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Che Guevara e ele mesmo tiraram fotos jogando golfe, um esporte caro sobre o qual ambos não tinham muita idéia.

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