Hillary lamenta ações de americanos presos no Haiti

Secretária diz que tentativa dos dez missionários foi ação 'infeliz; restante do grupo foi interrogado hoje

Associated Press,

03 de fevereiro de 2010 | 20h38

Oito dos dez americanos detidos no Haiti. Foto: Ramon Espinosa/AP

 

WASHINGTON - A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou nesta quarta-feira, 03, que a tentativa dos dez missionários americanos de levar para fora do Haiti crianças sem documentação foi "infeliz", e declarou que seu país está trabalhando com autoridades haitianas para resolver o caso.

 

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Falando a repórteres no Departamento de Estado, a secretária disse que qualquer que fosse sua motivação, os americanos não deveriam ter tentado solucionar problemas com suas próprias mãos, mas sim ter seguido procedimentos apropriados para trazer as crianças à República Dominicana.

 

Os dez missionários batistas ainda estão detidos em uma prisão em Porto Príncipe, enquanto aguardam a decisão de um juiz sobre seus destinos. Nesta quarta, as cinco mulheres do grupo foram interrogadas por um juiz que ouviu os cinco homens na terça.

 

Nenhum órfão

 

No orfanato da SOS Children, onde as 33 crianças estão sob proteção, a diretora regional Patricia Vargas disse que nenhuma delas que tenha idade suficiente para se expressar declarou ser órfã. "Até agora nenhuma delas disse que é órfã". Vargas disse que muitas crianças têm entre 3 e 6 anos de idade e não são capazes de fornecer números de telefone, endereços e informações sobre suas origens.

 

A diretora da agência de bem-estar social do Haiti, Jeanne Bernard Pierre, disse que, aparentemente, um pastor instruído pelos norte-americanos foi batendo de porta em porta e perguntando aos moradores se eles queriam doar suas crianças.

 

"Uma criança disse para mim: ''Quando eles bateram na nossa porta pedindo por crianças, minha mãe decidiu me doar porque nós somos em seis crianças. Ao me doar, ela teria apenas cinco filhos para cuidar''", disse Pierre.

 

O primeiro-ministro do Haiti, Max Bellerive, sugeriu que os americanos poderão ser julgados nos Estados unidos, porque o arrasado sistema judiciário do Haiti pode não ser capaz da tarefa. "Agora já está claro que eles tentavam cruzar a fronteira sem documentos. Também ficou claro que algumas das crianças têm pais vivos e também está bem claro que eles sabiam estar fazendo algo errado" disse Bellerive.

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