Homens presos em mina chilena finalmente retornarão à superfície

Os 33 homens presos numa mina chilena devem percorrer na noite desta terça-fera quase meia milha através de um tubo um pouco mais largo que seus ombros, à medida que o período de dois meses em que estão debaixo da mina se aproxima do fim.

CESAR ILLIANO E TERRY WADE, REUTERS

12 de outubro de 2010 | 10h24

Os homens estão há 68 dias nas profundezas quentes e úmidas de uma pequena mina de ouro e cobre no deserto do Atacama, após o acidente em 5 de agosto, e agora enfrentam uma viagem bastante angustiante até a superfície em cápsulas construídas especialmente para esse fim.

Esposas, filhos, pais e amigos estão esperando num árido e pedregoso local a cerca de 625 metros acima de onde os mineiros estão presos no chamado "Acampamento da Esperança".

Toda a nação, ainda se recuperando do devastador terremoto de fevereiro, está pronta para comemorar.

"Agora mesmo estou calma, embora ainda esteja muito ansiosa. Espero que meus nervos não me traiam quando o resgate começar", disse Jessica Salgado logo ao amanhanecer, cujo marido Alex está preso na mina.

"A primeira coisa que vou fazer é abraçá-lo forte, dizer a ele o quanto o amo e como eu senti a falta dele todo esse tempo", acrescentou. Ela disse ainda que o ministro das Minas, Laurence Golborne, havia afirmado aos parentes dos homens que os bombeiros poderiam começar a resgatar os mineiros algumas horas antes da meia-noite desta terça-feira.

VIGÍLIA DOS PARENTES

Muitos parentes dos mineiros faziam vigílias à medida em que o ponto alto da operação de salvamento se aproximava.

Noemi Donoso, cujo genro de 43 anos, Samuel Avalos, está entre os presos na mina, começava a orar junto com outros quatro membros da família. Eles davam as mãos uns aos outros para formar um círculo, cantando hinos e entoando "aleluia" e "glória a Deus".

Sua filha havia acabado de chegar para arrumar o cabelo em um salão de beleza improvisado em outra barraca do acampamento.

"Ela foi ao salão para se arrumar para ficar bonita quando o receber", afirmou Donoso, ao mesmo tempo em que uma criança sapeca corria pelo acampamento.

O resgate testou na segunda-feira com sucesso uma cápsula apelidada de "Fênix" --pássaro mitológico que renasceu das cinzas--, após construírem parcialmente um túnel com um duto de escape com tubos de metal para evitar qualquer desastre de última hora.

Eles inicialmente encontraram os homens --milagrosamente todos vivos 17 dias após o acidente-- através de um buraco da espessura de uma uva, que se tornou o cordão umbilical utilizado para passar gel hidratante, água e comida a fim de mantê-los vivos durante uma das mais ambiciosas operações de resgate do mundo.

Os homens bateram o recorde de trabalhadores que mais tempo sobreviveram no subsolo após um acidente envolvendo minas e agora têm de fazer exercícios para perderem peso.

Tem sido uma espera angustiante.

"Estamos fazendo o máximo que podemos agora. Estamos quase lá", disse Gaston Henriquez, acampado próximo à entrada da mina desde o acidente, esperando que seu irmão José escape.

Quando a operação começar, levará 48 horas para retirar os homens. Quatro bombeiros descerão para ajudar os mineiros a se prepararem para retornar à superfície.

A viagem à superfície feita por cada um dos homens deve levar de 12 a 15 minutos. Os mineiros terão seus olhos vendados e receberão imediatamente óculos escuros para não prejudicar a visão após passarem tanto tempo no escuro.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, que ordenou uma revisão nas regras de segurança das minas devido ao acidente, planeja visitar o local nesta terça-feira. Um dos 33 mineiros é boliviano, e o mandatário da Bolívia, Evo Morales, prometeu fazer uma visita à mina.

(Reportagem adicional de Antonio de la Jara, Juana Casas e Brad Haynes em Santiago e Santiago Silva em Quito; Texto de Simon Gardner)

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