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Honduras busca solução para crise em reunião na Costa Rica

Líder deposto e presidente autoproclamado reúnem-se pela primeira vez desde o golpe do dia 28

09 de julho de 2009 | 09h41

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o presidente hondurenho autoproclamado, Roberto Micheletti, se reunirão nesta quinta-feira, 9, na Costa Rica para discutir a crise política no país num encontro que será mediado pelo presidente costa-riquenho, Oscar Arias. Porém, as posições radicais dos dois lados da disputa podem complicar o diálogo para encontrar uma solução para a crise deflagrada pela deposição de Zelaya, em 28 de junho.

 

Micheletti insiste que não discutirá a possibilidade de retorno de Zelaya como presidente a Tegucigalpa. O governo autoproclamado afirma que, se voltar, Zelaya terá de enfrentar a Justiça, apesar de a Suprema Corte ter acenado esta semana com a possibilidade de uma anistia política para o presidente deposto. Já Zelaya diz que não existe nenhuma possibilidade de acordo se a presidência não lhe for restituída. Caberá a Arias conduzir a difícil negociação. Ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1987 pelo papel desempenhado nos acordos de paz para as guerras civis da América Central nos anos 80.

 

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Micheletti confirmou nesta quinta-feira que vai participar das conversas na Costa Rica. "O Conselho de Segurança Nacional decidiu que o presidente Roberto Micheletti viaje à Costa Rica para as conversações com o ex-presidente Manuel Zelaya ... para tentar alcançar a tranquilidade e paz em Honduras", disse René Cepeda, porta-voz da presidência interina.  Membros da Organização dos Estados Americanos (OEA), incluindo os EUA, apoiaram a realização do encontro. Apesar das posições inflexíveis, a pressão internacional e as ameaças de duras sanções econômicas contra Honduras pode obrigar uma das partes a ceder.

 

Na quarta-feira, os Estados Unidos suspenderam os programas de ajuda militar de 16,5 milhões de dólares e de ajuda para o desenvolvimento ao governo interino de Honduras por causa do golpe de Estado, informou na quarta-feira a embaixada norte-americana no país. Além disso, Washington alertou que novos fundos de ajuda a Honduras estimados em 50 milhões de dólares estão sob risco em 2009, bem como 130 milhões de dólares que são fornecidos para cumprir as Metas do Milênio estabelecidas pela ONU, segundo comunicado divulgado pela missão diplomática no país centro-americano.

 

A ministra interina de Finanças, Gabriela Núñez, disse que a decisão dos EUA de suspender a ajuda militar e para o desenvolvimento de Honduras por causa do golpe de Estado é "contraproducente" para o diálogo entre as partes, que se inicia na Costa Rica nesta quinta-feira. "É realmente preocupante esta decisão dos Estados Unidos, pois afeta importantes projetos que estavam em marcha ... É contraproducente para as negociações".

 

A Nicarágua negou o uso de seu espaço aéreo pelo presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, que pretende viajar nesta quinta-feira para a Costa Rica. O diretor da aviação civil de Honduras, Alfredo San Martin, informou que a autorização solicitada pela força aérea hondurenha para que Micheletti cruze o espaço aéreo nicaraguense foi recusada. A situação não impedirá, contudo, que Micheletti compareça à reunião com Zelaya em San Jose, capital da Costa Rica, para "restaurar a paz e manter a democracia em Honduras", disse San Martin.

 

Em Tegucigalpa, deputados afirmam que os dois lados devem fazer concessões para que se chegue a um acordo. A saída, no fim do processo, seria a antecipação das eleições, independentemente de Micheletti ou de Zelaya estar no cargo. Os candidatos já estão definidos desde o ano passado e a votação seria monitorada por organismos internacionais.

 

Zelaya foi deposto no dia 28 por militares e colocado em um avião para a Costa Rica. O governo autoproclamado acusa-o de desrespeitar a Constituição com o objetivo de permanecer no poder. O impeachment não está previsto na Constituição de Honduras. Mas a deposição foi considerada um golpe. No domingo, no auge da crise, um avião que levava o presidente deposto de volta a Honduras foi proibido de aterrissar no aeroporto de Tegucigalpa.

 

(Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

 

Texto atualizado às 13h20.

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