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Esteban Felix/AP
Esteban Felix/AP

Honduras decreta toque de recolher após retorno de Zelaya

Medida está em vigência em todo país; presidente deposto está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa

21 de setembro de 2009 | 18h39

O governo de facto de Honduras decretou toque de recolher nesta segunda-feira, 21, após o retorno do presidente deposto Manuel Zelaya ao país. O líder está abrigado na embaixada brasileira, na capital Tegucigalpa. O ministro de Comunicação e Imprensa do governo Roberto Micheletti, Rene Zepeda, informou à agência Reuters que a medida está em vigência em todo o país, das 16h às 7h.  Posteriormente, o toque de recolher foi estendido até às 18 horas desta terça-feira, 22.

 

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"Devido aos acontecimentos das últimas horas, o toque de recolher foi estabelecido em todo território nacional, das 16h (19h de Brasília) de hoje às 7h (10h de Brasília) de terça-feira", anunciou o governo de facto em rede de rádio e TV. "Pedimos à população sua compreensão, paciência e colaboração com esta medida, que visa unicamente a tranquilidade, a vida e a propriedade".

 

Antes da confirmação de que Zelaya estava na embaixada brasileira, o presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou em entrevista coletiva que sua administração dispunha de "provas de que Zelaya não estaria em Honduras" e que o líder "estaria tranquilo em uma suíte de um hotel da Nicarágua". Segundo Micheletti, um jornalista local estaria fazendo "terrorismo midiático para provocar a população". Desde então, ele não voltou a público.

Participação brasileira

Em Nova York, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que Zelaya chegou ao local por meios próprios. A mulher de Zelaya disse que o marido está bem  e pronto para iniciar o diálogo para resolver a crise. "Agradeço ao presidente Lula por permitir a entrada dele na embaixada", afirmou Xiomara Castro.

Na sede da representação brasileira, Zelaya disse a jornalistas que retornou a Honduras para dialogar e desenhar um caminho de retorno à paz e à tranquilidade. Seguidores de Zelaya se dirigiram a embaixada após a notícia do retorno do presidente.

Mais cedo, o líder deposto havia afirmado em entrevista por telefone que voltou ao país e pediu por um "diálogo nacional e internacional". "Não posso dar mais detalhes, mas já estou aqui", disse Zelaya ao canal 36 da televisão local.  Anteriormente, a chanceler do governo de Zelaya, Patricia Rodas, havia dito que ele estava na sede das Nações Unidas (ONU) na capital, embora o escritório da ONU na cidade houvesse negado a informação.

 

OEA convoca reunião

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) convocou uma reunião de emergência para o final da tarde de hoje. O secretário-geral do órgão, José Miguel Inzulza, disse que o encontro visa debater a volta de Zelaya ao país. O diplomata disse ainda que o governo de facto deve garantir a integridade física do governo deposto.

 

"Queremos pedir calma aos envolvidos neste processo, e assinalar às autoridades do governo de facto que devem se fazer responsáveis pela segurança do presidente Zelaya e da embaixada do Brasil", afirmou Insulza em comunicado. Inzulza disse ainda que está a caminho de Honduras.

 

EUA pedem calma

 

O porta-voz do departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, garantiu que Zelaya está em Honduras e pediu calma a ambos os lados da disputa política. "Creio que no momento tudo que se pode dizer é reiterar nosso pedido diário para que ambas as partes desistam de ações que tenham um desenlace violento", disse.  A embaixada americana no país centro-americano está buscando mais detalhes sobre o caso.

 

O porta-voz não falou sobre a situação legal de Zelaya em Honduras e, segundo disse, isso depende do "regime de fato em Tegucigalpa". "Certamente nós achamos que Zelaya é o líder constitucional e

democrático de Honduras", reiterou Ian Kelly.

 

Chávez exalta Zelaya

 

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, também confirmou o retorno de Zelaya. "Informo que o presidente Zelaya, viajando durante dois dias por terra, cruzando montanhas, rios, arriscando sua vida, com apenas quatro companheiros, conseguiu chegar à capital de Honduras e está em Tegucigalpa", afirmou.

"Exigimos aos golpistas que respeitam a vida do presidente, que entreguem o poder pacificamente", acrescentou o líder venezuelano, que vai entrar imediatamente em contato com outros governos da América Latina e de outras partes do mundo para ativar as iniciativas previstas para o retorno de Honduras à ordem constitucional e democrática.

 

Texto atualizado às 0h01

 

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