Honduras diz estar disposta a receber missão da OEA

Ministros do governo de facto, no entanto, querem relatório imparcial e missão sem membros da Alba

Efe,

06 de agosto de 2009 | 18h26

O novo governo de Honduras disse nesta quinta-feira, 6, que está aberto a receber a missão de chanceleres da Organização dos Estados Americanos (OEA) que visitará o país e que espera que seja "imparcial" diante da crise política causada pelo golpe de Estado contra Manuel Zelaya. A nova vice-ministra das Relações Exteriores do país, Martha Alvarado, disse, no entanto, que os países da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) "estão desqualificados para ser parte de uma missão de observação" da OEA em Honduras.

 

Veja também:

linkEstudantes e policiais se enfrentam em Honduras

lista Perfil: Zelaya fez governo à esquerda em Honduras

especialEntenda a origem da crise política em Honduras

especialPara analistas, pressão econômica seria a saída

 

Martha esclareceu que ainda desconhece "a lista" dos nomes que farão parte desta missão, que estará em Honduras "o mais rápido possível", segundo a OEA. A vice-ministra argumentou que "parte do problema" que Honduras atravessa após a derrubada do presidente Manuel Zelaya "são os países do Alba", criado por iniciativa do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e integrado, entre outros, por Cuba, Nicarágua, Bolívia e Equador.

 

Já o novo ministro da presidência hondurenha, Rafael Pineda, disse que o governo do país confia em que o relatório da missão "reflita a verdade" e contribua para que a OEA reconsidere sua decisão "precipitada" de suspender Honduras da entidade. "Esperamos dela (da missão) que venha em atitude imparcial, tolerante, aberta ao diálogo e ao entendimento", declarou Pineda à imprensa na sede do Executivo hondurenho.

 

O ministro, entretanto, enfatizou que a OEA "nos julgou e nos condenou sem nos ouvir e sem nos vencer em julgamento". Pineda reiterou as críticas do governo de Honduras ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a quem acusa de não ter levado em conta os relatórios de autoridades e de outros setores com os quais se reuniu quando visitou o país em 3 de julho. O ministro também diz que Insulza foi parcial em seu reporte, que levou à suspensão de Honduras da OEA. "Esperamos que este cidadão (Insulza) tenha tido tempo de escutar as reivindicações e os protestos de diferentes cidadãos e organizações pela atitude que teve durante sua primeira viagem a Honduras", disse Pineda.

 

Entre outros pontos, a proposta de Arias inclui a restituição condicionada de Zelaya, derrubado pelos militares em 28 de junho, quando o Parlamento designou Roberto Micheletti para seu posto. O governo de Micheletti, que até esse dia era presidente do Legislativo hondurenho, não é reconhecido pela comunidade internacional e rejeita o retorno de Zelaya. Em 4 de julho, a OEA suspendeu Honduras da entidade por não reconduzir Zelaya ao posto, embora o Governo de Micheletti tenha anunciado no dia anterior que deixava o organismo.

 

América do Norte

 

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do México, Felipe Calderón, além do primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, discutirão a crise política em Honduras no domingo e na segunda-feira na cidade mexicana de Guadalajara durante a cúpula de líderes da América do Norte. "O tema de Honduras será analisado com atenção" na reunião, disse hoje a secretária de Relações Exteriores mexicana, Patricia Espinosa, lembrando que "os três Governos rejeitam o golpe de Estado ocorrido nesse país".

 

Além disso, EUA, México e Canadá, "respaldam firmemente o Acordo de San José, proposto pelo presidente (da Costa Rica) Oscar Arias, como a base para avançar rumo a uma solução duradoura do problema e para restaurar a ordem democrática em Honduras", acrescentou. As principais atividades da cúpula de líderes da Aliança para a Segurança e a Prosperidade da América do Norte (Aspan) terão lugar na segunda-feira. No domingo, os chefes de Estado e Governo devem fazer reuniões bilaterais e participar de um jantar privado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.