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Honduras fecha todos os aeroportos após volta de Zelaya

Medida é decretada depois de toque de recolher; governo interino pede que Brasil entregue líder deposto

estadao.com.br,

21 de setembro de 2009 | 21h49

Em frente à embaixada brasileira, Zelaya fala para centenas de apoiadores. Fotos: Reuters

 

TEGUCIGALPA - O governo de facto de Honduras ordenou na noite desta segunda-feira, 21, o fechamento de todos os quatro aeroportos do país, depois de estabelecer um toque de recolher após o surpreendente regresso do presidente deposto, Manuel Zelaya, a Tegucigalpa. "O governo ordenou o fechamento de todos os aeroportos do país até segunda ordem", afirmou Antonio Sanmartin, diretor da Aeronáutica Civil.

 

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Pouco antes do fechamento dos aeroportos, Zelaya disse que ninguém voltará a tirá-lo de seu país, e que as palavras de ordem após seu retorno continuam sendo "pátria, restituição ou morte". Por sua vez, o presidente de facto, Roberto Micheletti, pediu ao Brasil que entregue Zelaya, que está abrigado na representação do País em Tegucigalpa. "Pedimos que o Brasil respeite a ordem judicial contra o senhor Zelaya e o entregue às autoridades competentes de Honduras", afirmou Micheletti em mensagem televisionada.

 

"A partir de agora, ninguém voltará a nos tirar daqui. Por isso, nossa posição é pátria, restituição ou morte", enfatizou Zelaya diante dos milhares de simpatizantes que permaneciam em frente à embaixada brasileira. O governo interino protestou contra o Brasil, e responsabilizou o País por qualquer ato de violência que possa acontecer perto da sede diplomática.

 

"É inaceitável para o Governo da República a conduta de tolerância da embaixada brasileira, ao permitir que se formulem chamados públicos à insurreição e à mobilização política por parte do senhor José Manuel Zelaya Rosales, fugitivo da Justiça hondurenha", assinala uma nota do governo Micheletti dirigida è embaixada brasileira, divulgada pela chancelaria hondurenha. "Tal ingerência nos assuntos privados dos hondurenhos é condenável e por tal motivo se protesta de maneira enérgica", pois isso "constitui uma flagrante violação do direito internacional", acrescenta.

 

Zelaya - que entrou em rota de colisão com os militares, o Congresso e o Judiciário por causa de sua insistência em promover mudanças na Constituição e de sua proximidade com o presidente venezuelano, Hugo Chávez - evitou dar detalhes sobre como conseguiu retornar clandestinamente a Honduras, mas,

segundo fontes próximas a ele, o presidente deposto atravessou a fronteira com a Nicarágua pelas montanhas. À época do golpe, que tirou Zelaya do poder em 28 de junho, o governo interino emitiu uma ordem de prisão contra o deposto, que se refugiou na Nicarágua.

 

Posição brasileira

 

Em Nova York, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou que Zelaya chegou a embaixada brasileira em Tegucigalpa por meios próprios. A mulher do presidente deposto disse que o marido está bem e pronto para iniciar o diálogo para resolver a crise. "Agradeço ao presidente Lula por permitir a entrada dele na embaixada", afirmou Xiomara Castro.

 

Insistindo em que o País não reconhece o governo de facto hondurenho, o Amorim acrescentou que, por enquanto, a preocupação maior será com a segurança do presidente deposto. "Eu conversei com o encarregado de negócios (no início da tarde) e ele me disse que Zelaya estava na embaixada", afirmou o ministro. O Brasil retiroy seu embaixador em Honduras após o golpe.

 

O aval para a entrada de Zelaya foi dado pelo subsecretário-geral da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, Enio Cordeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava no avião indo de Brasília para Nova York, foi avisado imediatamente por Amorim.

Logo após informar o chanceler, o encarregado de negócios, Francisco Catunda, passou o telefone para Zelaya conversar com Amorim. "Dei as boas-vindas e perguntei se ele estava bem. Ele me respondeu que sim, mas um pouco cansado por causa da caminhada pelas montanhas." Questionado pelos jornalistas, Amorim voltou atrás e disse não saber se Zelaya foi andando até a embaixada.

 

Diálogo

 

Zelaya pediu nesta segunda-feira "que o povo hondurenho venha para a capital para protegê-lo, mas que o façam pacificamente" e que o Exército não intervenha para expulsá-lo. Os simpatizantes do líder deposto deixaram os arredores do escritório das Nações Unidas em Tegucigalpa, onde acreditava-se que o presidente estava, rumo à embaixada do Brasil.

 

"Acreditamos que o diálogo é o melhor caminho e esperamos que as forças armadas não usem suas armas", assinalou. Zelaya acrescentou que conta com o apoio da comunidade internacional pra iniciar o processo de paz imediatamente. Fora da embaixada brasileira, milhares de partidários de Zelaya gritavam as palavras "Si, se pudo", uma versão latina do 'Yes, we can' (Sim, nós podemos), usada por Barack Obama em sua campanha presidencial nos EUA.

 

EUA pedem calma

 

O porta-voz do departamento de Estado dos EUA, Ian Kelly, pediu calma a ambos os lados da disputa política. "Creio que no momento tudo que se pode dizer é reiterar nosso pedido diário para que ambas as partes desistam de ações que tenham um desenlace violento", disse.

 

A secretária de Estado, Hillary Clinton, e o presidente costarriquenho, Oscar Arias, disseram esperar que o retorno de Zelaya ao país possa servir para solucionar a crise política. Em declarações concedidas à imprensa hoje após uma reunião em Nova York, Hillary expressou sua esperança de que "todas as partes voltem à mesa de negociações" após a volta do deposto.  

 

(Com AP, Efe, Reuters e Agência Estado) 

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