Honduras levanta toque de recolher na maior parte do país

Medida havia sido decretada por Micheletti após deposição de Zelaya; governo ameaça vistos de americanos

AP e Efe,

31 de julho de 2009 | 21h14

O governo de facto de Honduras levantou nesta sexta-feira, 31, na maior parte do país o toque de recolher de várias horas que vigorava praticamente ininterrupto desde o golpe de 28 de junho. "Decidiu-se estabelecer o toque de recolher em toda a beira do departamento de El Paraíso" e em outros cinco pontos da fronteira com a Nicarágua, informou o Executivo em comunicado emitido em cadeia nacional. "Para o resto do território nacional, fica suspenso o toque de recolher", acrescentou.

 

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O toque de recolher foi estabelecido em 28 de junho pelo governo de Roberto Micheletti, que nesse mesmo dia foi nomeado presidente em substituição do deposto líder Manuel Zelaya, depois que o chefe de Estado foi expulso do país pelos militares e cassado pelo Parlamento.

 

A medida tinha sido levantada em 12 de julho em todo o país, mas restabelecida quatro dias depois, quando organizações sociais aliadas ao líder deposto pediram para ocupar "pontos estratégicos" para exigir seu retorno a Honduras.

 

No departamento de El Paraíso tinha sido estabelecido um toque de recolher ampliado em relação ao resto do país, onde se limitava nos últimos dias a três horas e meia da noite, desde que na sexta-feira da semana passada Zelaya anunciou sua intenção de retornar ao país desde a Nicarágua.

 

VISTOS

 

Ainda nesta sexta, Micheletti que poderá revogar os vistos dos diplomatas dos Estados Unidos no país, em retaliação à medida tomada por Washington, que revogou os vistos de quatro funcionários graduados de Honduras.

 

Em comunicado, a chancelaria do governo de fato disse que "o governo se reserva o direito de aplicar reciprocidade em cancelar vistos do pessoal diplomático ou consular dos Estados Unidos em Tegucigalpa, sem nenhuma exceção."

 

Enquanto isso, a Suprema Corte de Honduras criticou a decisão dos EUA de cancelar o visto de entrada nos EUA do seu chefe, o magistrado Tomás Arita, medida que considerou "com o ânimo de exercer pressões sobre atuação legitimamente definida na lei da independência dos juízes."

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