Honduras veta saída de Zelaya com status de presidente

Líder deposto só sai do país como cidadão comum; saída para o México não pôde ser realizada

Agência Estado e Associated Press,

10 de dezembro de 2009 | 16h19

O governo de facto de Honduras afirmou nesta quinta-feira, 10, que não haverá acordo para o presidente deposto, Manuel Zelaya, deixar o país, a menos que ele viaje como cidadão comum e não como presidente hondurenho. Zelaya estaria se preparando para deixar a Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde está abrigado desde 21 de setembro, e seguir para o México.

 

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O Brasil criticou o governo hondurenho por sua posição contra Zelaya. "A atitude de humilhação em relação ao presidente Zelaya, o desejo de que ele assine documentos (dizendo que ele não é presidente), é algo que eu nunca vi", disse o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. "É totalmente inaceitável."

Enquanto surgiam notícias sobre conversações de um possível acordo permitindo que Zelaya viajasse para o México, o país pediu garantias para sua passagem como hóspede diferenciado e enviou um avião para Honduras para levar Zelaya. O Ministério de Relações Exteriores do México disse que buscava "contribuir para o alívio das tensões em Honduras por meio do diálogo e da negociação".

O ministro de Relações Exteriores de Honduras, Carlos Lopez, disse que a aeronave foi desviada para El Salvador quando ficou claro que Zelaya só obteria permissão para deixar o país se aceitasse asilo político como cidadão comum. O presidente deposto não aceita essa possibilidade porque o status poderia atrapalhar sua campanha de conduzir a oposição em seu país natal.

O ministro de Informação Rene Zepeda disse nesta quinta que o acordo não estava mais sob a mesa a menos que Zelaya aceitasse o asilo. "Não há novos diálogos com o México e o Brasil sobre o caso Zelaya", disse Zepeda. "Se esses países querem tirar Zelaya de Honduras, eles terão de fazer isso de acordo com a lei: dar a ele asilo em seus territórios, mas sem o cargo. Se isso acontecer, nosso governo vai aceitar que ele seja levado imediatamente, sem qualquer problema."

Zelaya continua a enfrentar a possibilidade de ser preso por traição e abuso de poder por ter ignorado uma ordem da Suprema Corte contrária à realização de um referendo sobre alteração na Constituição. O episódio levou ao golpe de 28 de junho. No dia 29 de novembro, Porfirio Lobo venceu as eleições presidenciais que o governo de facto espera que sejam reconhecidas internacionalmente e ajude a encerrar a crise polícia.

Zelaya disse que ao deixar o país, espera buscar um local neutro para reunir-se com Lobo e "encontrar uma solução pacífica para a situação no país". Mas Zelaya disse que quer uma solução negociada para sua partida - uma "que respeite a lei e respeite meu governo" e que permita que ele continue suas atividades políticas no exterior. Ele comandou uma espécie de governo no exílio a partir de outros países da América Latina depois que foi deposto. "Eu não vou aceitar qualquer asilo político", disse Zelaya.

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