Hondurenhos enfrentam vazio de informação sobre crise no país

Jornalistas e associações denunciam censura e suspensão de transmissão em rádios e tevês desde domingo

BBC Brasil, BBC

30 de junho de 2009 | 19h21

Os moradores de Tegucigalpa, a capital de Honduras, enfrentam um vazio de informações desde o início dos eventos que resultaram na deposição do presidente Manuel Zelaya no domingo. Os sinais das emissoras estatais de rádio e televisão, assim como os de outras cadeias internacionais privadas, foram suspensos temporariamente. Também há denúncias de agressões contra jornalistas e instalações físicas de empresas de comunicação.

 

Veja também: 

linkZelaya será preso se voltar a Honduras, diz procurador-geral

linkZelaya nega que busca reeleição e promete punir golpistas

linkGolpes de Estado são cada vez mais raros, mostra pesquisa 

linkChávez fortalece opositores do bolivarianismo

linkZelaya continua sendo presidente, diz Obama

linkAmorim ordena que embaixador brasileiro não volte a Honduras

especialEntenda a origem da crise política em Honduras

som Podcast: Professor da Unesp analisa Golpe de Estado em Honduras

som Podcast: Especialista teme que países sigam o exemplo

linkPerfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

lista Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA

"Estamos desinformados e cheios de rumores", disse à BBC Mundo uma diretora da ONG Christian Aid em Tegucigalpa, Maritza Henriquez. Na segunda-feira, um dia após a queda do presidente, a pouca informação que os hondurenhos tinham sobre o que estava acontecendo no país circulava de boca a boca.

 

"Como cortaram até a luz, procuramos lugares onde podemos encontrar a informação sobre o que está acontecendo. Algumas pessoas ligam os carros para poder escutar algumas notícias. No domingo, ficamos o dia todo sem energia", disse Henriquez. O jornalista hondurenho Manuel Torres disse à BBC Mundo que há uma forte censura nos meios de comunicação.

"Se você sintonizar uma das emissoras de rádio de Honduras, ouvirá que a informação é mínima sobre os eventos. Quase toda a grande imprensa do país se dedicou a entrevistar os novos funcionários do governo", disse Torres.

"A tendência dos meios de comunicação tem sido impor o critério de que o que ocorreu no domingo não foi um golpe de Estado, mas uma 'troca de administração'", afirmou o jornalista.

O rádio na mira

A Radio Globo Honduras denunciou, em seu website, que um comando militar invadiu as instalações da rádio e tirou o sinal da emissora do ar nas horas que seguiram à deposição de Zelaya no domingo. Depois de negociações com os militares, a rádio retomou as operações, mas sob uma série de condições que limitam a liberdade de expressão no país", disse o gerente-proprietário da emissora.

A organização Repórteres sem Fronteiras informou que quatro horas depois da queda de Zelaya, cerca de 25 militares invadiram a emissora Radio Progreso, pertencente a Associação Latino-Americana de Educação Radiofônica, e localizada nos arredores da capital.

"A Radio Progreso, agora na mira dos militares, ainda não decidiu quando retomará sua programação", afirma a organização. A Radio Globo Honduras informou, durante sua cobertura, que 95% dos meios de comunicação nacionais deixaram de emitir qualquer tipo de informação sobre a deposição do presidente.

Sinal

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) emitiu um comunicado manifestando a preocupação da organização com a crise política e a "limitação da liberdade de informação" em Honduras. O presidente da SIP, Enrique Santos Calderón se referiu a "suspensão temporária de sinais de rádio e televisão estatais, assim como de outras cadeias internacionais e privadas, e vários eventos e agressões registrados contra jornalistas e instalações físicas de alguns meios de comunicação".

Segundo a organização, depois da destituição de Zelaya e da imposição do toque de recolher por 48 horas, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) proibiu que as empresas de canais por cabo emitissem seus sinais.

"Com esta medida, foram afetadas as recepções das transmissões da CNN Español, Telesur e Cubavisión Internacional. Antes disso, soubemos que a rádio e a televisão estatal foram suspensas durante várias horas", diz o comunicado.

A SIP destacou ainda que, segundo os meios de comunicação hondurenhos, jornalistas e fotógrafos teriam sido "agredidos e insultados" por grupos contrários à deposição de Zelaya.

"Em San Pedro Sula, o jornal Tiempo informou que militares visitaram suas instalações e as do Canal 11 e ordenaram o fim das transmissões com declarações de funcionários do governo deposto", afirmou a organização em comunicado.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Tudo o que sabemos sobre:
Hondurasgolpe de Estado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.