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Hugo Chávez ameaça veículos de comunicação privados

Presidente acusa imprensa de incitar o ódio no país e promete 'surpresinha' para emissoras de TV e rádio

Agências internacionais,

11 de maio de 2009 | 07h48

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou os meios de comunicação do país neste domingo, prometendo tomar medidas severas contra emissoras de televisão, estações de rádio e jornais que tentarem causar problemas. Chávez acusou os veículos privados de incitar o ódio entre os venezuelanos e conspirar contra o governo ao apoiar rebeliões militares e tentativas de assassinado. O presidente não citou especificamente nenhum meio, mas disse que "podem esperar uma surpresinha" se continuarem com tais ações.

 

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"Estão brincando com fogo, manipulando, incitando o ódio e muito mais. Todos, emissoras, estações de rádio, imprensa escrita", afirmou Chávez durante seu programa semanal "Alô Presidente!". O presidente fez suas acusações dois dias depois do órgão regulador estatal de telecomunicações, Conatel, começar a investigar a Globovisión - único canal de TV aberta que continua criticando ferozmente o governo - por "incitar o pânico e a ansiedade entre a população".

 

As investigações, que poderiam resultar numa multa pesada ou no fechamento temporário, abrangem a cobertura do canal sobre o terremoto que atingiu a capital venezuelana, Caracas, no dia 4 de maio. Sem conseguir contatar imediatamente as autoridades da agência sísmica da Venezuela após o tremor, a Globovisión deu informações do Serviço Geológico dos EUA, afirmando que o abalo sísmico seria de magnitude 5,4. Enquanto isso, o diretor da emissora, Alberto Federico Ravell, criticou o que qualificou de uma reação lenta de funcionários do governo.

 

Chávez lembrou ainda que tem o poder para renovar as permissões para a transmissão. "Essas ondas eletromagnéticas pelas quais transmitem as emissoras privadas, rádios privadas, o canal do Estado, são de propriedade pública, são propriedade social, não pensem que são donos do espaço eletromagnético".

 

Ravell rechaçou no domingo ter feito algo incorreto e assinalou que a investigação busca intimidar a imprensa. Ele ainda qualificou a medida como ridícula, e afirmou que está muito preocupado de que os dias de transmissão da Globovisión estejam contados.

 

Há dois anos, em maio de 2007, o governo venezuelano não renovou a concessão da rede de televisão RCTV, crítica do Executivo de Chávez. A decisão provocou fortes críticas dentro e fora do país. Desde então, o canal transmite a partir de Miami em sinal fechado.

 

Desapropriação de 10 mil hectares

 

Segundo a BBC, Chávez assinou neste domingo uma série de ordens de expropriação que deverão dar ao governo o controle de um total de 10 mil hectares de terras pertencentes a proprietários privados. Segundo Chávez, essas terras eram ociosas ou haviam sido adquiridas de forma ilegal e agora serão destinadas à agricultura e "convertidas em projetos de unidades primárias de produção", conforme informações da Agência Bolivariana de Notícias.

 

A assinatura dos documentos foi feita durante o programa de rádio e televisão dominical de Chávez, o Alô Presidente, que neste domingo foi transmitido diretamente do Estado de Barinas, terra natal do líder venezuelano. Chávez disse que aqueles que têm terra devem produzir nelas. "Se não a ocupam bem, se não produzem bem, perdem o direito de ocupá-la, e para isso chega então a lei", afirmou.

 

O presidente criticou aqueles que têm terras e só as usam para passar os finais de semana. "A terra é por natureza propriedade de todos. Se alguém está ocupando uma terra, por distintas razões, mas não vive nela, vive na cidade e paga uma miséria a alguém para que cuide (da terra), isso tem que acabar", disse Chávez, segundo a Agência Bolivariana de Notícias. Segundo a agência estatal, o presidente determinou que os funcionários responsáveis pelas expropriações tenham acompanhamento militar.

 

O presidente venezuelano tem planos de controlar todos os setores considerados estratégicos para o país. Na sexta-feira, o governo venezuelano estatizou 60 empresas que prestam serviços à indústria petroleira. Desde março, diversas fazendas já foram desapropriadas. O governo enfrenta uma crise com o setor agroindustrial privado e aposta na expansão das terras cultivadas pelo Estado para aumentar a produção de alimentos no país. Atualmente, cerca de 70% dos alimentos consumidos na Venezuela são importados.

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