Hugo Chávez ordena encontro anti-SIP na Argentina

Encontros paralelos sobre liberdade de imprensa e democracia começam nesta segunda em Buenos Aires

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

09 Novembro 2009 | 09h13

Nesta segunda-feira, 9, de forma paralela à assembleia da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) – que discute o clima perigoso para  liberdade de imprensa na região, com a presença de mais de 500 editores de quase todos os países das Américas - a capital argentina também será o cenário de uma “contra-reunião”, isto é, o denominado “Primeiro Encontro Internacional de Meios e Democracia na América Latina” que será inaugurado nesta segunda-feira por ordens diretas do presidente venezuelano Hugo Chávez.

O encontro nas terras da amiga do líder bolivariano, a presidente Cristina Kirchner - anfitriã do convescote que pretende defender a interferência dos governos na ação da mídia na região – terá o patrocínio da Secretaria de Cultura da Argentina.

O encontro anti-SIP será realizado na rua México, no bairro de San Telmo, no antigo edifício da Biblioteca Nacional. Paradoxalmente, a instituição ficou famosa durante o comando do escritor Jorge Luis Borges (1899-1986), um acérrimo crítico do peronismo e dos governos liderados por caudilhos

Um dos principais conferencistas da “contra-reunião” será o autor da polêmica Lei de Mídia argentina, Gabriel Mariotto, interventor do Comitê Federal de Radiodifusão (Comfer). A Lei de Mídia, aprovada recentemente no Parlamento argentino no meio de denúncias de compras de votos implica em uma drástica redução da ação dos grupos de mídia.

Além dele, participará o venezuelano Andrés Izarra, presidente da rede de TV Telesur. Esta rede tem sido a ponta de lança do governo Chávez para introduzir programas de propaganda “bolivariana” na América Latina. Também participarão parlamentares dos governos aliados de Chávez e dos Kirchners, que na “contra-reunião” dissertarão sobre os “monopólios midiáticos na região”.

A embaixada venezuelana, além do evento jornalístico paralelo, também convocou a realização de uma manifestação contra a reunião da SIP.

O diretor executivo da SIP, Julio Muñoz, considera que as interferências na mídia realizadas por vários governos na América Latina “possuem o objetivo de deter o fluxo de notícias, base da sociedade, democracia e liberdade. A censura não deve ser permitida, pois ela impede que o público tenha informação”.

Os participantes da assembleia da SIP destacaram que vários países da região enfrentam problemas para consolidar sistemas institucionais que prescindam de líderes políticos circunstanciais. Segundo eles, esse cenário provocou uma perda de relevância da América Latina em todo o mundo.

 

Agressões

 

Entre os países mais problemáticos para a liberdade de imprensa, a Venezuela ocupa a pole position, segundo os participantes da reunião da SIP. O governo do presidente Hugo Chávez, segundo o relatório preliminar apresentado por David Natera, presidente do Bloco de Imprensa Venezuelano, “continua deteriorando a liberdade de imprensa por intermédio de agressões legais, judiciárias e físicas contra meios de comunicação e jornalistas independentes como parte de uma estratégia de Chávez, que avança na imposição de um regime comunista, militarista e totalitário”.

Segundo Natera, Chávez é quem possui um verdadeiro monopólio de informação estatal ou de capitais privados submissos, já que conta com 238 estações de rádio, 28 canais de televisão, 340 jornais e 125 sites de propaganda política na internet. O relatório que apresentou indicou que Chávez, desde que chegou ao poder há 10 anos, fechou 34 estações de rádio e prometeu clausurar outras 240.

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