Hugo Chávez promulga emenda para reeleição ilimitada

Após vitória em referendo, presidente venezuelano assina ata constitucional; opositores pedem reação

Efe,

19 de fevereiro de 2009 | 19h44

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, promulgou nesta quinta-feira, 19, a emenda constitucional para a reeleição ilimitada que lhe permitirá concorrer novamente ao cargo em 2012, em um surpreendente Conselho de Ministros realizado em uma praça do oeste de Caracas. "Promulgo a emenda número um da Constituição Bolivariana, com todo meu coração e meu compromisso com o povo, e juro ao povo que não os decepcionarei. Viva o povo!", expressou Chávez ao assinar a ata oficial.   Veja também: Referendo na Venezuela foi 'democrático', dizem EUA Vitória pode impulsionar socialismo chavista, diz analista  Cenário na Venezuela após o resultado  Fotos: o referendo na Venezuela  Fotos: A dinastia Chávez  Enquete: Você acha que a reeleição ilimitada é legítima?  Conheça os programas sociais apoiados por Chávez  Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez   "Estou pronto para continuar comandando a 'revolução' de 2009 a 2019, pelo menos, se essa for a vontade do povo", afirmou Chávez, eleito presidente pela primeira vez em dezembro de 1998 e duas vezes ratificado no cargo ao longo da última década. Como estava anunciado oficialmente desde quarta, o chefe de Estado recebeu em uma praça de um bairro popular do oeste de Caracas a ata da emenda, emitida pelo Poder Eleitoral, das mãos da presidente da Assembleia Nacional (AN), a governista Cilia Flores.   Mas, surpreendentemente, o ato incluiu a presença dos ministros venezuelanos, a quem Chávez distribuiu a ata da emenda para sua assinatura, e imediatamente depois a promulgou e ordenou sua publicação "amanhã" no Diário Oficial.   A emenda foi aprovada no domingo passado em referendo com 54,86% dos votos, o que, segundo Chávez, foi uma "vitória histórica" das fileiras "revolucionárias" e um "knock-out" na oposição. "É uma emenda histórica, porque é a primeira vez que uma Constituição é modificada por vontade do povo venezuelano. Isto é democracia revolucionária: é o povo que manda na Venezuela", declarou o presidente.   Oposição   Pouco antes da assinatura da emenda, o líder opositor venezuelano Henry Ramos Allup pediu às forças políticas contrárias a Chávez que "não façam papel de bobo" e deixem de atribuir à abstenção e ao uso da máquina administrativa a vitória do presidente no referendo de domingo que o deu o direito de se candidatar indefinidamente.   "A oposição não pode seguir dizendo que perdeu o devido aos abusos do governo ou pela abstenção", ressaltou em entrevista coletiva o secretário-geral do partido Ação Democrática (AD, social-democrata). Os 54,85% de votos a favor da emenda de Chávez "refletem que seu apoio popular cresceu 5,56%, enquanto os 45,15% dos votos opositores marcaram uma queda de 5,55% em relação ao referendo de 2007 (vencidos pela oposição)", ressaltou.   Se a oposição "não reconhecer a realidade e seguir sem pôr os pés no chão não terá sucesso em suas próximas eleições, especialmente nas presidenciais que, em dezembro de 2012, decidirão o período 2013-2019 e nas quais Chávez já disse que apresentará seu nome", acrescentou ele.   Sobre a diminuição da abstenção, com o comparecimento às urnas de 70% dos quase 17 milhões de eleitores, Ramos Allup destacou que isso favoreceu a Chávez e não ao "antichavismo". Portanto, "não se diga que perdemos pela abstenção, que não é causa, mas a consequência de algo", concluiu.

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