Hugo Chávez redobra esforços rumo ao socialismo, diz jornal

Terceira fase da 'revolução' continua a se apoiar na renda petroleira e prevê impostos sobre terras ociosas

da Redação, com agências internacionais,

17 de fevereiro de 2009 | 14h58

Há dois anos, o presidente venezuelano Hugo Chávez anunciou que através do plano Simón Bolívar começava a transição do país para o socialismo. Mas, neste domingo, logo depois de receber o resultado do referendo que aprovou a emenda constitucional que prevê reeleição ilimitada para os cargos públicos, ele assegurou que a marcha rumo a esse sistema terá velocidade redobrada na Venezuela. Segundo o jornal El Universal, o plano é impulsionar este socialismo manejado pelas comunidades, que também minimiza a propriedade privada e dá ao Estado o controle de vários setores.   Antes de apresentar a reforma, o Executivo venezuelano começou a promover a centralização da economia com o objetivo de impulsioná-la, mas uma maior quantidade de receitas levou a um modelo sustentado por importações, aponta o diário. Entre 2007 e 2008, Chávez iniciou seu modelo socialista, complementado pela decisão do Estado de manter o controle das atividades estratégicas, nacionalizando os setores do petróleo, siderurgia, construção e serviços de telecomunicação e eletricidade.   Veja também: Vitória pode impulsionar socialismo chavista, diz analista  Cenário na Venezuela após o resultado  Vitória não é sinônimo de reeleição, diz assessor de Lula  Fotos: o referendo na Venezuela  Fotos: A dinastia Chávez  Enquete: Você acha que a reeleição ilimitada é legítima?  Conheça os programas sociais apoiados por Chávez  Processos eleitorais na Venezuela na presidência de Chávez   No domingo, o presidente venezuelano disse que começava "o terceiro ciclo da revolução". Em seu discurso, ele ressaltou que neste ano se dedicará a consolidar o que conseguiu nos anos anteriores e apontou que é preciso "ratificar, ajustar e fortalecer o econômico e social". Chávez anunciou que impulsionará "o plano Simón Bolívar para solucionar os problemas do povo."   O Universal indica que este plano deve ser levado adiante com a renda petroleira - um dos pilares de sustentação do governo Chávez, que tem enfrentado queda nos últimos meses - e prevê reforço no sistema tributário mediante criação de impostos, como um sobre terras ociosas de uso urbano e outro sobre as instalações e equipamentos produtivos sem uso por razões não justificadas.   Segundo o jornal venezuelano, as medidas de Chávez ainda devem promover a criação de cidades socialistas e insistir em uma mudança para a divisão territorial - o presidente considera que a estrutura do território deve estar vinculada ao esquema produtivo. Desta forma, contempla um novo desenho para as demarcações, visando a construção de novas comunidades. O programa ainda teria um capítulo sobre a Venezuela como potência energética e colocaria a indústria petroleira "como responsável em primeira linha pelo crescimento do novo modelo produtivo."   Ciclos da revolução   Para Chávez, a reeleição ilimitada - que havia sido rechaçada em referendo em 2007 - inaugurou uma nova "doutrina constitucional" na Venezuela, pois colocou nas mãos do povo a decisão sobre quem deve exercer o poder.   Segundo o presidente, o primeiro ciclo da revolução do país começou em 1989 com o Caracazo, a revolta popular contra o levantamento de subsídios pelo presidente Carlos Andrés Pérez, e terminou com a posse de Chávez para o primeiro mandato, em 1999. Com sua chegada ao poder pelo voto, em 1999, iniciou-se o segundo ciclo, em vigor atualmente. A terceira iria de 2009 a 2019. Em seu pronunciamento no domingo, Chávez explicou que a eleição ilimitada institui a "pátria eterna", com base no socialismo.

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