Humala anuncia 'Governo de conciliação nacional e representativo'

Em tom conciliador, candidato disse que sua principal tarefa será 'consolidar o crescimento econômico

Efe,

06 de junho de 2011 | 03h30

LIMA - O presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, anunciou na noite de domingo, 5, após conhecer os resultados oficiais das eleições presidenciais, que formará "um Governo de concertação nacional representativo das forças democráticas e aberto à sociedade civil".

 

Veja também:
video TV Estadão: 
Gabeira analisa disputa à presidência
especialQuem é quem: o raio-X dos presidenciáveis

 

Humala fez uma breve declaração em tom conciliador sete horas após o fechamento das urnas e pouco antes de partir à praça Dos de Mayo, no centro de Lima, onde uma multidão de milhares de seguidores passou toda a tarde esperando sua aparição.

 

No entanto, o político não mencionou nomes ou grupos que poderiam integrar o novo governo, embora haja muitas expectativas sobre quem será seu primeiro-ministro e seu ministro da Economia, diante dos temores que sua candidatura gerou no setor empresarial.

 

Vestido com calça jeans, sua tradicional camisa azul e uma jaqueta preta, acompanhado por seus dois vice-presidentes, Humala proclamou que sua tarefa principal será "consolidar o crescimento econômico, que será o grande motor da inclusão social que une os peruanos e que representa o mandato das urnas".

 

Também manifestou tom conciliador com sua rival no segundo turno, Keiko Fujimori. "A minha adversária nessas eleições, meus respeitos".

 

"A campanha eleitoral terminou e, em 28 de julho, será o presidente de todos os peruanos que assumirá a responsabilidade de dar continuidade ao trabalho de consolidar nosso crescimento", destacou Humala.

 

Biografia

Ollanta Moisés Humala Tasso, presidente eleito do Peru e líder da coalizão esquerdista Gana Peru, nasceu em 27 de junho de 1962, em Lima.

 

É um dos sete filhos do advogado trabalhista Isaac Humala, falante da língua quíchua e defensor dos tradicionais valores andinos, e da pedagoga e advogada Elena Tasso, filha de um imigrante italiano. O nome de Ollanta, de origem inca, significa "o guerreiro que tudo olha".

 

Isaac Humala, fundador do movimento "etnocacerista", ensinou aos filhos esta doutrina que estimula políticas nacionalistas, de reivindicação da "raça cobriza" (nativa) e aberta xenofobia contra o Chile, Estados Unidos e Israel.

 

Ollanta Humala estudou no Colégio Peruano-Japonês La Unión, de Lima. Sua biografia oficial afirma que ele queria estudar Zootecnia, mas mudou de opinião e ingressou na Escola Militar de Oficiais de Chorrillos, onde se graduou em 1984.

 

Durante os anos de serviço militar nas selvas de Tingo María e Madre Mía, em 1991-92, foi acusado de assassinatos e abusos sexuais contra a população civil, assim como de subornos a testemunhas desses crimes, casos pelos quais foi investigado pela Justiça, mas sua participação nesses fatos nunca foi comprovada.

 

No final dos anos 1980, ele e outros oficiais - entre os quais, seu irmão Antauro - fundaram um grupo clandestino no seio das Forças Armadas, que batizaram de "Militares Etnocaceristas".

 

Uma das ações mais famosas deste grupo foi o que Ollanta chama de "a façanha de Locumba", um levante promovido por ele, seu irmão Antauro e outras 72 pessoas contra o Governo de Alberto Fujimori, na madrugada de 29 de outubro de 2000.

 

Com a fuga de Fujimori ao Japão, Humala depôs as armas e enfrentou na Justiça as acusações de motim, mas foi anistiado em dezembro daquele ano pelo Governo de transição presidido por Valentín Paniagua.

 

Em seguida, Ollanta solicitou a reincorporação às fileiras militares e trabalhou durante um tempo na Secretaria de Defesa Nacional. Paralelamente, cursou estudos de Ciências Políticas na Faculdade de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de Lima, onde se formou em 2002.

 

Em dezembro do mesmo ano, tornou-se adjunto do adido militar da embaixada peruana em Paris. Em 2004, foi enviado a Seul para assumir o mesmo posto, criado expressamente para ele na Coreia do Sul, mas lá permaneceu apenas alguns meses, já que, em dezembro do mesmo ano, foi aposentado na carreira militar pelo Governo Alejandro Toledo.

Dias após se aposentar, em 1º de janeiro de 2005, seu irmão Antauro protagonizou outra rebelião na cidade andina de Andahuaylas, incidente que culminou com seis mortos (quatro policiais e dois rebeldes). Ollanta Humala foi acusado de ser o autor intelectual do chamado "andahuaylazo", mas nada foi provado contra ele.

 

Voltou ao Peru para fundar em fevereiro de 2005 com sua esposa, Nadine Heredia, o Partido Nacionalista Peruano (PNP). Em dezembro daquele ano, o grupo se aliou à legenda União Pelo Peru (UPP), de centro-esquerda, para apresentar uma lista única às eleições gerais de 9 de abril de 2006, liderada por Humala.

 

No primeiro turno, Humala foi o candidato mais votado, seguido do ex-presidente Alan García, que, no entanto, reverteu o resultado e ganhou a Presidência no dia 4 de junho daquele ano ao receber, no segundo turno, 52,5% dos votos, contra 47,4% do nacionalista.

 

Embora Humala não tenha então conseguido a Presidência, sua candidatura foi a mais votada em 15 dos 24 departamentos do país e a União Pelo Peru (UPP) se transformou na principal legenda do Congresso.

 

Em dezembro de 2010, oficializou sua candidatura às eleições presidenciais de 10 de abril de 2011 pela coligação Gana Peru, composta fundamentalmente por personalidades de esquerda, embora ele se considere exclusivamente "nacionalista", e não de direita ou de esquerda.

 

Humala, que perdeu o pleito de 2006 com uma retórica antissistêmica, moderou seu discurso na campanha de 2011 e foi ganhando popularidade, tanto que se tornou o candidato mais votado no primeiro turno de 10 de abril, com 31,7% dos votos.

 

Após conquistar o apoio de reputados economistas de centro de Governos anteriores, obteve o respaldo explícito do ex-presidente Alejandro Toledo e do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que protagonizou uma famosa campanha contra a rival de Humala, Keiko Fujimori.

 

Ollanta é um leitor empedernido de livros de história, amante do esporte e especialista em xadrez. Casado com a comunicadora social Nadine Heredia, tem duas filhas - Illary (que em quíchua significa "amanhecer") e Nayra ("com a luz nos olhos", em aimara) - e um filho (Samín, que em quíchua significa "o que traz prosperidade, paz e felicidade")

 

Leia mais:

linkKeiko aproveita o legado do pai Fujimori
linkHumala aparece como moderado

linkAlberto Fujimori deve ser transferido a uma prisão, diz vice de Humala

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.