Humala promete levar crescimento aos pobres do Peru

O esquerdista Ollanta Humala tomou posse na quinta-feira como presidente do Peru, prometendo incluir os pobres do país no crescimento econômico e buscando mostrar aos investidores que governará como um moderado, depois de romper com seu passado radical.

TERRY WADE E TERESA CÉS, REUTERS

28 de julho de 2011 | 17h10

Em seu primeiro discurso no cargo, o ex-militar disse que manterá intactas as políticas de livre mercado em vigor, mas prometeu também elevar o salário mínimo e assegurar uma pensão a todos os peruanos maiores de 65 anos.

Segundo ele, os programas sociais serão financiados em parte por um novo imposto sobre os lucros das mineradoras.

"Queremos que o termo 'exclusão social' desapareça da nossa linguagem e das nossas vidas para sempre", disse Humala. "O crescimento econômico e a inclusão social caminharão juntos."

Depois de se distanciar do presidente socialista venezuelano, Hugo Chávez, durante a campanha eleitoral, Humala nomeou uma equipe econômica comandada por conservadores.

Sem maioria no Congresso, prometeu ser conciliador e buscar o diálogo para aprovar seus programas sociais.

Mas, já na posse, Humala, de 49 anos, causou burburinho ao prometer cumprir a Constituição de 1979, e não a versão promulgada em 1993 por Alberto Fujimori, que fechou unilateralmente o Congresso para acumular poderes.

"Vai para casa agora!", gritaram parlamentares do partido de Fujimori, que tem a segunda maior bancada, depois do Gana Perú, de Humala.

O novo presidente disse que a Constituição de 1979 é "verdadeiramente uma inspiração para a liberdade e a democracia."

Humala foi eleito em 5 de junho, derrotando no segundo turno, por estreita margem, a deputada Keiko Fujimori, filha do ex-presidente, que está preso por corrupção e abusos aos direitos humanos.

Uma pesquisa feita duas semanas depois do pleito mostrou que Humala tinha 70 por cento de aprovação, e que a maioria dos eleitores previa a preservação de políticas moderadas, responsáveis por dar ao Peru um dos maiores crescimentos econômicos do mundo.

Depois disso, no entanto, sua taxa de aprovação caiu a 41 por cento, o que o levou a nomear para o seu gabinete tecnocratas bem avaliados pelo mercado.

Em seu discurso de posse, Humala afirmou também que "os recursos naturais serão respeitados, e os projetos serão condicionados ao respeito pelas comunidades, os trabalhadores e o meio ambiente."

Atualmente, mais de 200 comunidades protestam contra projetos de mineração e extração de petróleo em suas regiões, e Humala prometeu mediar esses conflitos.

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