Humala quer estabilidade para o Peru, diz assessor

O candidato nacionalista Ollanta Humala, ganhador do primeiro turno da eleição presidencial peruana realizada domingo, deseja a estabilidade econômica do seu país, e promete não seguir a linha dos governos de esquerda da Venezuela e da Bolívia, disse seu principal assessor à Reuters na quarta-feira.

TERESA CÉS, REUTERS

13 de abril de 2011 | 18h59

O índice de referência da Bolsa de Lima despencou 6,2 por cento, e a moeda local, o sol, se desvalorizou nesta semana, refletindo as preocupações dos investidores com a perspectiva de Humala ser eleito no segundo turno, em 5 de junho.

O nacionalista, um ex-oficial do Exército com discurso populista, enfrentará a deputada de direita Keiko Fujimori no segundo turno.

"Isso não tem nada a ver (com o presidente venezuelano, Hugo Chávez), nada a ver com a Bolívia", disse Félix Jimenez, assessor econômico de Humala. "A estabilidade econômica é muito importante para consolidar o crescimento."

Jimenez, professor da Universidade Católica de Lima e ex-diretor do departamento de dívida pública do Ministério das Finanças, disse que Humala descarta categoricamente a nacionalização de quaisquer empresas.

Nos últimos anos, os presidentes esquerdistas radicais da Venezuela e da Bolívia assustaram investidores ao nacionalizar bancos e empresas petrolíferas.

Mas Jimenez disse que Humala é favorável a uma renegociação voluntária de alguns contratos mantidos pelas empresas de mineração e gás natural, para que pudessem pagar mais impostos ao governo e, no caso do gás, priorizar os consumidores domésticos em vez de exportar o combustível.

O assessor, com doutorado em economia pela New School, de Nova York, aparentemente demonstrou, durante a entrevista, que é favorável ao chamado "nacionalismo dos recursos".

"A nacionalização é um tipo de proposta política que significa que as indústrias extrativistas deverão trabalhar pelo desenvolvimento nacional", afirmou. "O Estado precisa de recursos (financeiros)."

Atualmente, a carga fiscal peruana é de apenas 15 por cento do PIB, o que deixa o Estado relativamente fraco e incapaz de financiar programas de educação e saúde.

Jimenez disse que uma reforma tributária ampla, transferindo o ônus dos consumidores para as grandes empresas de recursos naturais, poderia gradualmente elevar a arrecadação pública para 20 por cento do PIB.

Humala, que moderou a sua opinião desde que perdeu por pouco a eleição presidencial de 2006, prometeu manter intacto os pilares fundamentais da política econômica.

Jimenez acrescentou que Humala é favorável à manutenção da independência do Banco Central e que deixará a meta de inflação anual em 1 a 3 por cento. "Vamos manter o atual arranjo institucional atual da política monetária", disse, ressaltando que o BC continuará a ser "autônomo e independente".

Outra promessa de Humala é manter o equilíbrio fiscal do país e implementar uma "política fiscal anticíclica" para criar uma poupança durante os anos de prosperidade e ampliar os gastos durante uma recessão.

Jimenez afirmou ainda que Humala vai desenvolver mercados de capitais locais "profundos e líquidos", e que manterá a economia do Peru --que tem vários acordos de livre comércio com outros países-- "aberta ao mundo".

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