Human Rights Watch pede à Venezuela que se explique sobre Farc

A organização Human Rights Watch pediunesta terça-feira que a Venezuela esclareça "de maneiradetalhada" em que consiste sua relação com as guerrilhasesquerdistas da Colômbia, responsáveis por graves violações aosdireitos humanos. A organização se referiu a mensagens eletrônicasencontradas em vários computadores de Raúl Reyes, líder dasForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), morto emterritório equatoriano no dia primeiro de março depois de umbombardeio de militares colombianos. "As mensagens de correio eletrônico apresentam gravesperguntas sobre a relação entre o Governo da Venezuela e asFarc que merecem respostas sérias", disse o diretor para asAméricas da Human Rights Watch, José Miguel Vivanco, em umcomunicado da organização para a imprensa. "Pelo menos, parecem indicar que chefes guerrilheiros queestavam cometendo abusos terríveis acreditavam que contavam como respaldo do governo venezuelano", acrescentou o comunicadoenviado pela Internet. No último dia 15 de maio, a Interpol anunciou que seusperitos haviam constatado que os arquivos contidos noscomputadores que estavam no acampamento de Reyes eramautênticos e não haviam sido modificados.Segundo as autoridades colombianas, alguns documentos sugerem ointeresse do governo de Hugo Chávez de apoiar economicamente àsFarc e um suposto acordo com o presidente equatoriano, RafaelCorrea, para não atacar o grupo rebelde em seu território. Chávez negou terminantemente que tenha apoiado osguerrilheiros esquerdistas, ou que tenha mantido qualquercontato com algum dos líderes da insurgência, apesar dasmissões que realizou com autorização do governo colombiano paraliberar reféns da guerrilha. "É absolutamente inaceitável que um governo apoie um grupoguerrilheiro como as Farc, que cometem habitualmenteatrocidades contra a população civil", acrescentou Vivanco. "Se o conteúdo das mensagens é efetivamente certo,demonstra que as Farc estavam prontas para receber muito maisdo que apoio retórico do Governo de Chávez", finalizou. (Reportagem de Javier Mozzo Peña)

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