Ianomâmis negam que tenha havido massacre na Venezuela

Índios ianomâmis negaram a autoridades e jornalistas que sua aldeia na Venezuela tenha sido cenário de um massacre, e a entidade Survival International também recuou do seu relato inicial sobre a suposta matança de dezenas de pessoas.

CARLOS GARCIA RAWLINS, Reuters

10 de setembro de 2012 | 18h44

A versão inicial do incidente era que garimpeiros brasileiros tinham ido de helicóptero à aldeia de cerca de 80 moradores e cometido uma matança indiscriminada, deixando apenas três sobreviventes.

Segundo a acusação, o caso havia ocorrido em julho, mas só fora denunciado em agosto por outros índios ianomâmis da remota região amazônica, próxima à fronteira com o Brasil.

"Ninguém matou ninguém", disse o chefe da aldeia na serra Parima, que se identificou apenas como Massupi, falando a jornalistas no local, com a ajuda de um intérprete. "Aqui estamos todos bem", acrescentou ele, vestindo uma tanga vermelha e sentado em frente a uma oca de palha.

O governo do presidente Hugo Chávez, que se orgulha da atenção dedicada aos direitos dos indígenas, havia prometido investigar o incidente, mas vinha dizendo repetidamente nas últimas semanas que não havia indícios de uma chacina.

Em nota na segunda-feira, a Survival International disse: "Tendo recebido seus próprios testemunhos de fontes confidenciais, a Survival agora acredita que não houve ataque de garimpeiros contra a comunidade ianomâmi de Irotatheri".

"Atualmente não sabemos se essas histórias foram ou não motivadas por um incidente violento, o que é a explicação mais provável, mas a tensão continua elevada na área."

Incidentes entre índios garimpeiros e fazendeiros são relativamente comuns na região. Em 1993, 16 ianomâmis foram mortos num ataque de garimpeiros no Brasil.

Na aldeia, Massupi e outros índios pareceram surpresos com a chegada de um helicóptero militar transportando jornalistas. O grupo foi recebido por moradores empunhando lanças, arcos e flechas, mas sorridentes.

Funcionários do governo aproveitaram a visita para entregar roupas e alimentos aos ianomâmis, que falaram aos jornalistas por meio de um intérprete contratado pelo governo.

Em vez de encontrar indícios de violência, um fotógrafo da Reuters se deparou com moradores dançando, descansando em redes, caçando ou cozinhando.

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