Igreja do México permite suspender missas por insegurança no país

Horários de cursos e missas podem ser alterados ou suspensos em estados mais violentos do norte

Efe,

12 de novembro de 2010 | 21h14

CIDADE DO MÉXICO- A Conferência do Episcopado Mexicano (CEM) deu liberdade para que os sacerdotes das cidades mais afetadas pela onda de violência suspendam determinados serviços com o fim de "proteger a população", afirmaram nesta sexta-feira, 12, fontes da instituição.

 

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"Devemos nos antecipar a situações que podem ocorrer, para evitar perigos, e tomar as medidas mais oportunas para proteger a população", explicou à Efe Manuel Corral, encarregado de Relações Públicas do CEM.

 

O secretário-geral do CEM bispo de Txcoco, Víctor René Rodríguez, anunciou ontem durante a XC Assembleia Plenária da organização que cada padre pode mudar o horário das missas, cursos e demais atividades vespertinas se considerar necessário, mas que não devem abandonar seus postos em nenhum caso.

 

Em princípio, a diretriz será aplicável em todos os estados do norte do país, como Tamaulipas, Nuevo León e Sinaloa. No entanto, a situação de outras regiões, como Michoacán, Veracruz e Puebla, já fez com que alguns padres mudassem ou eliminassem horários de missa para prevenir ações violentas.

 

"Não se trata de uma decisão do sacerdote, mas sim de toda a comunidade de fiéis", afirmou o porta-voz. Nas tardes e noites, segundo relatou, quando a violência aumenta, "a população está restringindo sua assistência aos serviços religiosos", o que tem consequências negativas para a igreja, que está recolhendo menos dízimos e doações.

 

O desemprego derivado da falta de investimentos nas regiões mais inseguras e "a extorsão e corrupção" que assolam os povoados também afeta, os recursos dos fiéis.

 

O sacerdote recordou que essa situação "não é novidade, vem de tempos atrás e foi aumentando", e prognosticou que será prolongada durante o que resta do mandato do presidente Felipe Calderón, "enquanto os grupos de delinquentes se multiplicam".

 

No início de seu governo, em dezembro de 2006, Calderón lançou uma guerra contra o narcotráfico que já custou a vida de mais de 30 mil pessoas, mortas em ações atribuídas ao crime organizado.

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