Igreja e Exército tentam reduzir tensão na Bolívia

A 3 dias do referendo, Forças Armadas reforçam apoio a Evo e Igreja pede 'serenidade' no pleito de domingo

Efe,

07 de agosto de 2008 | 18h43

As Forças Armadas da Bolívia ratificaram nesta quinta-feira, 7, o apoio ao governo do presidente Evo Morales, enquanto a Igreja pediu à população "serenidade" no referendo revogatório de domingo, depois que o Executivo denunciou que o país está à beira de um golpe de Estado. O comandante do Exército, general Luis Trigo, disse em discurso na cidade de Cochabamba pelos 183 anos da instituição que estão "subordinados à Constituição Política do Estado" e que sua obrigação é dar "segurança e estabilidade" ao país.   Veja também: Impedido de visitar 4 cidades, Evo diz que Bolívia vive ditadura   "As Forças Armadas são as fiadoras da democracia, conceito que inclui o preceito constitucional de garantir a estabilidade do governo legalmente constituído seja o atual ou qualquer outro que recolha a vontade do povo, que é o grande soberano", disse o general.   O discurso foi pronunciado na inauguração de um desfile militar e de grupos indígenas realizado em Cochabamba, onde Morales denunciou que, no país, há grupos que aplicam uma "ditadura civil" e chamou a população a defender seu governo e suas reformas.   Pouco antes, o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, braço direito de Morales, denunciou em uma entrevista à rádio estatal Patria Nueva que o país está perto "de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional."   Segundo Quintana, o suposto plano é liderado pelos governadores das regiões autonomista que estão em greve de fome com o apoio dos dirigentes cívicos de suas localidades. A denúncia de Quintana acontece a quatro dias do referendo que acontecerá no domingo para que a população se pronuncie sobre a revogação ou continuidade dos mandatos de Morales, do vice-presidente e de oito governadores regionais do país.   Nos últimos dias, os protestos contra Morales e seu governo se intensificaram, como ocorreu em Tarija, onde, na última terça-feira, uma manifestação de opositores provocou a suspensão da visita dos presidentes de Argentina e Venezuela, Cristina Fernández de Kirchner e Hugo Chávez, respectivamente, ao país.   Igreja   Em meio ao clima de tensão, a Igreja Católica emitiu nesta quinta uma mensagem, lida pelo secretário-geral da Conferência Episcopal Boliviana (CEB), Jesús Juárez, na qual pediu à população que tenha um "comportamento adequado na delicada situação" do país.   Juárez disse que "é primordial que todos, e de maneira especial as forças da ordem", contribuam para que o referendo de domingo seja realizado "em um ambiente de respeito, serenidade e paz."   Ele também exortou as autoridades a aceitarem "os resultados do processo, sejam quais forem, com a maior prudência e sentido de responsabilidade" e convocou governo e oposição a, depois da consulta, retomar o caminho do diálogo "como único meio" para conseguir acordos duráveis.

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