Igreja espera 'sinais' para mediar diálogo político na Bolívia

A Igreja Católica boliviana mantevesuspensa na segunda-feira a convocação de um diálogo parasuperar o conflito entre o governo de Evo Morales, que desejaimplementar mudanças na Constituição, e a oposiçãoconservadora, que defende a autonomia regional. Fontes da cúpula católica disseram que os bispos continuamesperando "sinais de abertura" de ambos os lados, o queprolonga as incertezas a pouco mais de um mês para o primeirodos vários referendos sobre autonomia não autorizados pelogoverno. "A Igreja continuará esperando mais sinais das partes emconflito, para então convocar o entendimento", disse arepórteres Marcial Chupinagua, porta-voz do cardeal JulioTerrazas. "Esperaremos o tempo necessário. Entretanto, continuaremosa fazer contatos para aproximação", acrescentou ele. A pedidos do governo e da oposição --que é representadapela aliança política "Podemos" e pelos governadores de cincodos nove estados do país --, a Igreja Católica aceitou há quaseum mês ser a "mediadora" do diálogo, amplamente visto como aúltima opção para evitar uma eventual explosão de violênciapolítica. Morales estimula mudanças profundas na Constituição, com oobjetivo de "refundar" o país e frear as desigualdades sociaisque submetem a esmagadora maioria indígena, exercendo maiorcontrole estatal sobre a economia e a propriedade de terras. Já o projeto de estatuto autônomo da rica província deSanta Cruz, que seria submetido a referendo, outorga a umfuturo governo regional a administração da política agrária, oque o governo de Morales considera uma "rebelião latifundiária"contra o processo de mudança. O governo se mostrou aberto ao aceitar a suspensão de doisreferendos nacionais para por em vigência a nova Constituição,mas, ao mesmo tempo, enfureceu os agroempresários ao proibir asexportações de azeite comestível com a justificativa decombater a inflação. Encabeçados por autoridades de Santa Cruz, os opositores senegaram a suspender seu referendo autônomo, convocado para 4 demaio, e começaram na semana passada uma onda de protestoscontra o veto temporário às exportações de azeite. Caminhoneiros de Santa Cruz, alinhados ao movimentoautonomista, bloqueiam há seis dias o controle aduaneiro nafronteira com o Brasil.

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