Incêndio em presídio do Chile deixa ao menos 83 mortos

SANTIAGO (Reuters)- Um incêndio numa penitenciária na capital do Chile matou ao menos 83 presos e deixou outras 21 pessoas feridas na manhã desta quarta-feira, informou o governo. É a maior tragédia registrada no sistema prisional chileno.

REUTERS

08 de dezembro de 2010 | 14h47

O fogo começou por volta das 4h da madrugada (5h em Brasília) na torre 5 da prisão de San Miguel, na zona sul da capital, e foi controlado por várias unidades da corporação dos bombeiros de Santiago.

"Esta foi uma tremenda e dolorosa tragédia e a primeira coisa que quero fazer é me solidarizar com os familiares das 83 pessoas que perderam suas vidas, com as 21 pessoas que estão feridas, sete delas com problemas menores de asfixia, 14 delas com problemas maiores", disse o presidente chileno, Sebastián Piñera, a jornalistas.

Piñera não descartou que o número de mortos pode aumentar, no terceiro pior incêndio na história do Chile.

Segundo as primeiras investigações, o fogo foi iniciado propositalmente durante uma briga de presos em uma das cinco torres da prisão.

O presídio de San Miguel estava com cerca de 1.900 detentos, mais que o dobro da capacidade para a qual foi projetado.

ANGÚSTIA DOS FAMILIARES

Centenas de parentes dos detidos se aglomeraram em volta da penitenciária em busca de informações, enquanto a polícia tentava controlar a situação. Desesperados, os familiares gritavam e imploravam à polícia que lhes deixassem entrar para resgatar os parentes.

"É desesperador não saber se estão vivos ou mortos. Estamos aqui há horas e eles não nos disseram nada!," disse uma mulher chamada Maria, que não quis dar o sobrenome.

Alguns ficaram aliviados. Gonzalo Sepulveda chorava depois de contatar seu irmão Cristian. "Eu morro se alguma coisa acontecer com ele," afirmou Sepulveda. "Não são animais os que estão lá. Eles são seres humanos que cometeram erros."

Parentes ansiosos subiam nas cercas ao redor da prisão, gritando o nome dos presos diante do prédio em chamas. Alguns presos agitavam os braços e camisetas através das barras das janelas.

Alguns parentes gritaram quando os funcionários leram as listas de alguns presos que haviam sobrevivido, assumindo que os que não estavam incluídos haviam morrido. Os funcionários salientaram que as listas eram apenas parciais. Frustrados, alguns familiares de detentos jogaram pedras e garrafas e brigaram com a polícia.

(Reportagem de Antonio de la Jara, Simon Gardner, Brad Haynes e María José Latorre)

Tudo o que sabemos sobre:
CHILEINCENDIOATUALIZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.