Indefinição marca fim de campanha eleitoral uruguaia

Pesquisas dão a José Mujica pouco menos de 50% dos votos; ex-presidente Lacalle é principal rival

BBC Brasil, BBC

22 de outubro de 2009 | 07h09

Três pesquisas de opinião divulgadas na noite desta quarta-feira sugerem que a eleição presidencial no Uruguai poderá não ser definida no primeiro turno, neste domingo.

 

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Segundo os institutos Factum, Equipos Mori e Cifra, o candidato da coalizão do governo, Frente Ampla, José 'Pepe' Mujica, que lidera as pesquisas de opinião, não chegaria aos 50% mais um voto necessários para ser eleito no primeiro turno.

Os dados foram divulgados pelas televisões uruguaias e reproduzidos pelo site do jornal El Pais, de Montevidéu.

De acordo com o Factum, Mujica receberia 46% da votação se as eleições fossem hoje. O ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Blanco, teria 29% e Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, 13%. O número de indecisos e de possíveis votos em branco seria de 9%, segundo o levantamento.

Dados semelhantes foram divulgados pela Equipos Mori com 45,5% para a Frente Ampla, 27% de intenção de votos para o candidato do Partido Blanco e 14,3% para o representante do Partido Colorado, que é filho de Juan Maria Bordaberry, que governou o país durante parte do período ditatorial.

A Cifra também sugere que nada está definido, já que Mujica teria hoje 49% das intenções de votos, Lacalle 32% e Bordaberry 14%. E o número de indecisos ainda seria de 7%, pelos dados deste instituto.

Últimos comícios

A campanha eleitoral no Uruguai termina à meia-noite desta quinta-feira.

Nesta quarta-feira à noite, os candidatos Mujica e Lacalle realizaram seus últimos comícios.

Segundo o site do jornal El Observador, uma multidão compareceu em Montevidéu ao encontro do candidato da Frente Ampla, que foi guerrilheiro durante a ditadura (1973-1985) e ministro da Agricultura do atual governo de Tabaré Vázquez.

Em recente entrevista à BBC Brasil, ele disse que caso eleito terá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "modelo", por seu estilo "conciliador".

Assessores de Mujica disseram à BBC Brasil, por telefone, que a multidão reunida no comício "pode ser decisiva para que o resultado seja definido neste domingo, no primeiro turno".

Em seu discurso, Mujica destacou que, se eleito, pretende seguir a linha política adotada por Vázquez.

"Seguiremos a linha marcada pelo atual governo. Com ele (Vázquez), o povo aprendeu o que é um governo de esquerda e que é possível realizar mudanças", afirmou.

Confiança

Por sua vez, Lacalle encerrou sua campanha com um comício na localidade de Maldonado, destacando que seu partido tem 173 anos e por isso "merece a confiança" do eleitor.

Os Partidos Blanco e Colorado têm a mesma idade e vinham se revezado durante décadas na Presidência até eleição de Vázquez, em 2004.

No Uruguai, país de pouco mais de 3 milhões de habitantes, o mandato presidencial é de cinco anos e não há reeleição.

Neste domingo, os eleitores uruguaios votam também em dois plebiscitos: para anular ou não a lei de anistia (aos militares e policias acusados de crimes na ditadura) e para permitir que os que moram no exterior votem pelo correio, chamado de "voto epistolar". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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