Índios reacendem conflito por rodovia na Amazônia boliviana

A chegada a La Paz de uma segunda marcha indígena em pouco mais de três meses reavivou, nesta segunda-feira, o conflito causado por um projeto rodoviário na Amazônia boliviana, suspenso após um protesto semelhante em 2011, e revelou divisões numa das principais bases de apoio ao governo do presidente Evo Morales.

CARLOS QUIROGA, REUTERS

30 de janeiro de 2012 | 17h47

A nova marcha tem objetivos opostos à da primeira, que levou Morales a suspender a construção de uma rodovia de 306 quilômetros e 420 milhões de dólares, financiada pelo Brasil, que atravessaria o Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis).

"Viemos exigir que se anule essa lei que declara o Tipnis intocável, porque ela nos prejudica e não foi consultada com as bases", disse Gumercindo Pradel, líder da marcha que entrou em La Paz com quase mil pessoas, após percorrer cerca de 600 quilômetros em 45 dias.

Mas o líder indígena da primeira marcha, Adolfo Chávez, disse à rádio estatal Pátria Nueva que a lei de proteção do Tipnis "não será revisada de maneira alguma", e anunciou que iniciará imediatamente uma campanha de defesa da lei junto às comunidades indígenas do parque.

Líderes parlamentares prometeram tentar mediar um acordo entre os grupos indígenas divergentes.

Pradel questionou a liderança de Chávez, que na semana passada estabeleceu um surpreendente acordo político com o político direitista Rubén Costas, governador da região de Santa Cruz (leste).

No ano passado, ativistas contrários ao projeto rodoviário na Amazônia boliviana - incluindo indígenas, ONGs, e políticos de oposição - se mobilizaram contra o suposto risco ambiental que a rodovia representaria para o Tipnis, que tem 1,2 milhão de hectares.

Seguindo o discurso do governo, Pradel disse que o dano ecológico da rodovia será "mínimo e insignificante em comparação aos benefícios".

Desde a promulgação da lei de defesa do Tipnis, a obra rodoviária avança apenas nos seus trechos fora do parque, mas está paralisada na sua parte central, de 177 quilômetros, que deveria passar dentro da reserva.

A construção da rodovia foi encomendada à empreiteira brasileira OAS, e é parte de um ambicioso projeto de infraestrutura que Morales prometeu para o seu segundo mandato, do qual ele já cumpriu dois dos cinco anos.

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