Ingrid agradece a Lula por oferecer País para negociação

Em SP, ex-refém das Farc lembra que presidente colocou território à disposição para ajudar na libertação

Anne Warth, da Agência Estado,

05 de dezembro de 2008 | 15h23

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 5, em São Paulo, que não há mais nenhuma razão para manter seqüestros políticos. Lula reuniu-se de manhã com a senadora colombiana Ingrid Betancourt, libertada em julho após ter ficado quase sete anos no cativeiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ele disse ter ficado admirado por ver que Ingrid "não possui ressentimentos e mágoas" e pensa no futuro, apesar de tantos anos seqüestrada. "Essa mulher resistiu. É uma conquista da humanidade o fato de ela ter sido libertada. Não existe mais nenhuma razão para haver seqüestros políticos", disse. Veja também:Madonna encontra Ingrid Betancourt e Cristina Kirchner O drama de Ingrid Por dentro das Farc Histórico dos conflitos armados na região   Foto: Ernesto Rodrigues/AE Ingrid disse que vir ao Brasil era um grande sonho antes mesmo de ser seqüestrada. Ela contou ter muitos amigos no País e agradeceu as pessoas que pensaram nela, rezaram por ela e vibraram quando ela foi libertada. "Me sinto muito latino-americana. Somos o mesmo povo, pensamos e acreditamos nas mesmas coisas", afirmou. A senadora disse que o primeiro agradecimento que faria aos brasileiros era ao presidente Lula. Ela afirmou que o tema dos seqüestros das Farc foram por muito tempo considerados politicamente incorretos, avaliados como uma forma de dar publicidade ao grupo. Ela agradeceu ao fato de Lula sempre ter demonstrado interesse no tema e mantido conversas com o governo colombiano e com o presidentes franceses Jacques Chirac e Nicolas Sarkozy de maneira discreta. "O presidente Lula sempre o fez, sempre o fez", declarou. Ela lembrou também o encontro que Lula teve com sua família na Argentina, quando ela ainda estava seqüestrada. "Foi um momento muito especial para minha família. O presidente Lula reservou tempo para eles. Esses atos criam vínculos afetivos muito fortes. E meu agradecimento, é para alguém que é mais que um amigo, é um irmão", citou. Ela disse que chegou a ouvir pela rádio, ainda na selva, a notícia de Lula ter colocado o território brasileiro à disposição de uma negociação entre governo colombiano e as Farc quando ainda não havia interesse no assunto.  A ex-refém das Farc agradeceu ainda pelo que acontecerá no futuro, pois disse ter a esperança de que os demais seqüestrados sejam libertados em breve. Ingrid relatou que as Farc tiveram muitas derrotas neste ano, entre elas a morte do guerrilheiro Raúl Reyes e a própria operação que resultou na libertação da senadora. O presidente Lula, por sua vez, disse que era hora de os militantes das Farc acompanharem as notícias da América do Sul. "Eles vão perceber que um operário chegou à presidência de uma das maiores economias do mundo e que um índio chegou à presidência da Bolívia pela via democrática", citou.  "Se há chance de um dia as Farc governarem a Colômbia é pela democracia, pela militância política", acrescentou o presidente. Ele lembrou ainda que os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, também chegaram ao poder pela democracia. "Não se ganha eleição seqüestrando pessoas", ressaltou.

Tudo o que sabemos sobre:
LulaIngrid BetancourtFarcColômbia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.