Ingrid Betancourt cede à pressão e desiste de processar Colômbia

A ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt, mundialmente famosa por ter passado seis anos sequestrada pela guerrilha Farc, desistiu nesta terça-feira de um processo judicial contra o Estado colombiano, que era motivo de muitas críticas a ela.

HUGH BRONSTEIN, REUTERS

13 de julho de 2010 | 18h04

Betancourt, de 48 anos, libertada numa espetacular ação militar em julho de 2008, pleiteava 6,8 milhões de dólares em indenização. Nos últimos dias, ela vinha sendo acusada por autoridades, colunistas e blogueiros de tentar tirar proveito do drama que viveu. A revista "Semana", a mais importante do país, saiu com o assunto em sua capa, chamando o processo de "vergonha."

O processo "foi encerrado", disse a jornalistas Isnardo Jaimes, funcionário da procuradoria geral colombiana.

No fim de semana, a ex-candidata disse a uma TV que a indenização pleiteada era "simbólica" e que sua real intenção era abrir um diálogo entre o Estado e as vítimas da guerra civil colombiana, que dura cerca de meio século.

"O processo dela não caiu bem, e seu arrependimento está caindo ainda pior", escreveu o colunista Mauricio Pombo no jornal El Tiempo.

Betancourt foi sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em 2002 na localidade de San Vicente del Caguán, após ser alertada por autoridades a não ir àquela região para fazer campanha.

Ela diz que o Estado falhou na sua segurança como candidata, ao substituir seus guarda-costas pessoais e depois permitir que ela viajasse por terra para a cidade, apesar da forte presença de guerrilheiros na região.

A ex-candidata e vários outros reféns passaram anos na selva, até que as Farc foram enganadas e entregaram 15 prisioneiros a militares que se fizeram passar por integrantes de uma ONG que se ofereceram para transferir os reféns a outro local.

O resgate foi um golpe humilhante para a guerrilha Farc, que nos últimos anos perdeu vários comandantes e muitos combatentes, mas continua dominando rotas do narcotráfico em regiões remotas.

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