Ingrid Betancourt está 'muito doente' nas mãos das Farc

A ex-candidata presidencial colombianaIngrid Betancourt, há mais de seis anos sequestrada pelasForças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), está "muitodoente" e passa por uma situação difícil, disseram refénslibertados pela guerrilha nesta quarta-feira. O ex-parlamentar Luis Eladio Pérez disse que viuBetancourt, que também tem a nacionalidade francesa, pelaúltima vez há 23 dias e por poucos minutos. "Ingrid ficou muito mal, está física e moralmente esgotada,temos que fazer uma imensa campanha para libertá-la o maisrápido possível", disse Pérez a jornalistas. Pérez acrescentou que a ex-candidata tem problemas físicose sofre maus-tratos daqueles que a mantém em cativeiro,enquanto permanece presa em condições "subumanas". Os ex-refénstambém afirmaram que a política sofre de uma reincidentehepatite B. A também ex-legisladora Gloria Polanco, também libertadanesta quarta-feira, lamentou a situação vivida por Betancourt."Como mulher, como mãe, mando uma mensagem para IngridBetancourt, que ficou na selva muito doente", disse. Polanco, Pérez e outros dois ex-parlamentares foramlibertados na quarta-feira após anos no cativeiro, em umadecisão unilateral das Farc, em reconhecimento aos gestoshumanitários do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e dasenadora colombiana Piedad Córdoba. Chávez recebeu os agora ex-reféns no palácio presidencial eouviu pedidos para que interceda em favor da ex-candidata àPresidência da Colômbia. O presidente venezuelano mandou umamensagem sobre a política para o líder das Farc. "Marulanda, a primeira coisa que vou te pedir do fundo domeu coração é que mude o local onde está Ingrid, que a mudepara um comando mais próximo de você...enquanto seguimostratando e abrindo caminho para sua libertação definitiva.Creio que seja urgente", disse Chávez. Os reféns libertados nesta quarta pediram que se trabalhepor uma imediata e definitiva libertação de dezenas de pessoassequestradas, as quais as Farc buscam trocar por cerca de 500guerrilheiros presos por meio de um acordo humanitário com ogoverno colombiano. "Trabalharemos sem descanso para conseguir a liberdade detodos, mas particularmente a de Ingrid Betancourt, que passaneste momento por uma situação extremamente difícil", dissePérez. Betancourt foi sequestrada pelas Farc durante sua campanhapara a Presidência em fevereiro de 2002. A França tem demonstrado interesse nas negociações por umatroca humanitária e tem expressado confiança de que aintervenção de Chávez facilite a entrega dos reféns. O governo colombiano, no entanto, retirou Chávez dasnegociações de paz, por considerar que ele ultrapassou suasfunções, o que provocou tensões diplomáticas entre os doispaíses. Pérez também disse que os três norte-americanos mantidosreféns pela guerrilha estão em uma situação complicada econtaminados com doenças tropicais. (Colaborou Luis Jaime Acosta na Colômbia)

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