Ingrid Betancourt ganha o Prêmio Príncipe de Astúrias

Ex-refém das Farc por mais de 6 anos é homenageada por sua 'dignidade e coragem' durante o cativeiro

Efe,

10 de setembro de 2008 | 08h15

A franco-colombiana Ingrid Betancourt, libertada em julho após ser mantida como refém durante mais de seis anos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), ganhou nesta quarta-feira, 10, o Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia 2008, que reconheceu a "dignidade e a coragem" dela durante o cativeiro. Veja também:O drama de Ingrid A decisão do júri, divulgada às 12h (7h de Brasília) em Oviedo (Espanha), destacou também a "força" com a qual Ingrid enfrentou seis anos "de injusto cativeiro". A ex-candidata presidencial colombiana personifica, segundo o júri, todos aqueles no mundo que estão privados de liberdade devido à "defesa dos direitos humanos e luta contra a violência terrorista, a corrupção e o narcotráfico". Ingrid superou nas votações finais do júri as candidaturas do Colégio da Europa, com sede em Bruges (Bélgica), e do jesuíta espanhol Enrique Figaredo, que trabalha no Camboja desde 1991 e fez de sua vida uma cruzada contra as minas antipessoais. A candidatura foi apoiada pelo ex-presidente colombiano Belisario Betancur, pela ex-presidente irlandesa Mary Robinson e pelo cineasta Woody Allen. A franco-colombiana foi primeiro deputada e depois senadora, até que renunciou ao cargo para se apresentar às eleições presidenciais da Colômbia em 2002, ano em que foi seqüestrada. Firme defensora da liberdade e dos direitos humanos, durante sua trajetória pública, Ingrid dirigiu seus esforços para a luta contra a corrupção, o narcotráfico e a violência. Ingrid recebeu o prêmio com "imensa emoção", "muito respeito" e "humildade" a concessão do prêmio, em nome de seus antigos colegas de cativeiro, vivos e mortos. Após afirmar que não merece "semelhante distinção", disse que vê neste "maravilhoso fato um feliz presságio para quem a merece, minha amada Pátria, a Colômbia, sedenta de concórdia e paz", disse a ex-refém, em comunicado. Na nota divulgada em Paris pela Federação Internacional de Comitês Ingrid Betancourt, a ex-candidata à Presidência da Colômbia disse que gostaria que o prêmio "aliviasse a tristeza" das famílias de seus colegas de cativeiro que morreram na selva, "como reconhecimento a seu grande sacrifício". A ex-refém agradeceu a Deus, a quem pediu que a guie para "poder responder com altura e sabedoria às oportunidades que se abrem para servir aos que sofrem e ser a voz de que não podem se expressar". "Atrevo-me" a receber o prêmio "em nome de meus companheiros seqüestrados, aqueles que estão esperando sua vez para a liberdade", e "com muito amor em nome dos meus companheiros que não voltarão, aqueles que morreram na selva", afirmou Ingrid. O Prêmio Príncipe de Astúrias da Concórdia, de grande prestígio internacional, oferece 50.000 euros (US$ 70 mil). Nesta edição, foram apresentadas 51 candidaturas de 21 países, entre elas o Movimento Internacional da Luta contra a Pena de Morte, o Museu Memorial de Gandhi e o juiz da Corte Internacional de Justiça Thomas Buergenthal. Na edição de 2007, o prêmio foi para o Museu da História do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.