Ingrid pede liga de países para libertar reféns das Farc

Após seis anos, franco-colombiana reencontra os filhos depois de ser libertada pelo Exército colombiano

Agências internacionais,

03 de julho de 2008 | 12h10

Longe das câmeras, a ex-refém Ingrid Betancourt reencontrou os filhos depois de seis anos nesta quinta-feira, 3, um dia após ser libertada das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ao lado de Mélanie e Lorenzo, Ingrid fez um apelo pela criação de uma "uma liga de países que nos ajudem a melhorar a situação de Colômbia e lutem pelas libertações das Farc".   Pouco depois de reencontrar seus filhos, Ingrid Betancourt pediu aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Equador, Rafael Correa, para que retomem vínculos de amizade, fraternidade e confiança com o presidente colombiano, Álvaro Uribe. "O primeiro que temos que fazer é telefonar para Chávez e Correa para que nos ajudem. Essa é uma etapa essencial para libertar mais reféns de forma unilateral", disse. Para ela, as mudanças na Colômbia devem acontecer de maneira democrática. "Eles devem aproveitar a influência que têm sobre o comando das Farc para que a guerrilha deixe o caminho do terrorismo pelo da conciliação, da negociação e da paz".   Veja também: Após 6 anos, Ingrid reencontra os filhos em Bogotá Uribe quer libertação de reféns para negociar  Ingrid Betancourt chega à França nesta sexta Colômbia poderá libertar mais reféns, diz ministro Chávez reitera apelo para que Farc deponham armas Americanos que estavam em poder das Farc chegam aos EUA EUA admitem conhecer plano para libertar reféns das Farc Ouça o relato de Ingrid Betancourt (em espanhol) Quem são os ex-reféns libertados pela Colômbia O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt Depoimento dos filhos de Ingrid (em espanhol)    Ingrid também insistiu no mesmo pedido "à comunidade internacional para que se mexam", e pediu que a presidente da Argentina, Cristina Fernández, e outros dirigentes do mundo ajudem para que "as mudanças que quiseram dar na Colômbia sejam por vias democráticas". O pedido de Betancourt se seguiu ao da filha, Mélanie. "Quando libertaram os outros reféns (em janeiro) eu fiquei muito feliz, mas triste aos saber que minha mãezinha ainda estava na selva. Por isso temos que continuar lutando para libertar a todos os seqüestrados que ficaram", disse Mélanie.   Muito emocionada, Ingrid reviu Mélanie e Lorenzo dentro do avião presidencial francês, que chegou à Colômbia por volta das 10h30. A ex-candidata entrou no avião para se reencontrar com os filhos, aos quais abraçou e beijou na escada do aparelho. Chegaram também o ex-marido de Ingrid Fabrice Delloye, a irmã Astrid, o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, e uma equipe médica enviada pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy.   Ingrid deixou o avião sem soltar a mão dos filhos, e afirmou em entrevista coletiva que estava muito ansiosa para rever Mélanie e Lorenzo e que para os dois foi difícil crescer com essa angústia. "Foi uma batalha muito difícil que lutaram no fundo de sua alma... tenho muitas coisas que quero compartilhar com eles"   Ingrid deixou o avião sem soltar a mão dos filhos, e afirmou em entrevista coletiva que estava muito ansiosa para rever Mélanie e Lorenzo e que para os dois foi difícil crescer com essa angústia. "Foi uma batalha muito difícil, que lutaram no fundo de sua alma". Ingrid deu novamente graças a Deus pela libertação. "Estou tão feliz por senti-los, tocá-los, olhá-los. Eles são lindos. Ainda bem que não se parecem comigo", brincou. A franco-colombiana ainda se disse orgulhosa dos filhos. "Eles cresceram sós e construíram sua personalidade. Da última vez que vi Lorenzo ele era pequenininho. Quero lhe dizer tantas coisas...".   O chanceler francês Bernard Kouchner agradeceu o governo da Colômbia pelo resgate de Ingrid e disse que a família da ex-candidata presidencial colombiana ajudará a libertar os que continuam sob poder da guerrilha. "Ouvir Ingrid é um milagre e um momento realmente mágico", mas isso "não nos impede de pensar em que outros estão seqüestrados", disse.   "Mais uma vez, queria de todo coração agradecer em nome do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e de toda a França, aos que não perderam a esperança e que lutaram, a outros presidentes latino-americanos, mas, principalmente, o presidente Uribe, meu amigo, o chanceler (Fernando Araújo) e o povo colombiano", disse.   Depois de mais de seis anos de cativeiro, a política franco-colombiana foi resgatada na quarta-feira, 2, em uma operação do Exército da Colômbia que libertou outros 14 reféns. O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, se comprometeu a continuar a busca para libertar os demais 25 reféns políticos que seguem seqüestrados pelas Farc.   Colômbia   A cantora colombiana Shakira afirmou que "hoje é um dia histórico" para seu país, após o resgate dos seqüestrados. "Este é um dia histórico para todos nós, para esta pátria que sofreu tanto, mas que hoje chora de emoção e de alegria se unindo em um imenso abraço", assinalou a artista em um comunicado.   "A Colômbia hoje está de pé e olha com esperança para o futuro de paz que se aproxima", acrescentou. Shakira disse ainda que Betancourt "é o símbolo do sofrimento de todos aqueles que tiveram sua liberdade roubada."   "Betancourt e os demais resgatados representavam nossas próprias liberdades perdidas, assim como os que ainda sofrem em cativeiro na selva", afirmou.   "Com esta vitória, começamos a recuperar nossa própria liberdade, que será plena quando terminar o drama da violência e todos, absolutamente todos, sejam livres, para que as armas se calem e a paz vença a guerra", disse.   "O dia de hoje renovou nossa fé na democracia, em nossas instituições, em nossas próprias forças", concluiu a cantora.     Matéria atualizada às 14h50.  

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