'Ingrid tem algumas seqüelas, mas está muito bem', diz marido

'Ela está muito lúcida', afirma; segundo a família, a ex-refém passou a noite contando detalhes do cativeiro

Agências internacionais,

03 de julho de 2008 | 17h12

A ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt "tem algumas seqüelas (do cativeiro), mas nada grave. Ela está muito bem, muito lúcida", disse o marido da ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Juan Carlos Lecompte. Ele contou que Ingrid, libertada na quarta após ficar seis anos nas mãos da guerrilha, passou a primeira noite após a libertação em claro, "contando os detalhes de seu triste cativeiro."   No café da manhã, ela pediu laranjas, disse o marido. Na quarta, o presidente Nicolas Sarkozy assegurou que Ingrid "apresenta bom estado de saúde". Em abril, em meio a relatos sobre o seu frágil estado de saúde, chegou-se a especular que a ex-refém poderia estar morta. Na época, a franco-colombiana apareceu em um vídeo com semblante fraco e doente.     Veja também: Libertação foi milagre, precisamos lutar pelos reféns, diz Ingrid Ingrid pede liga de países para libertar reféns Lula cobra sensibilidade das Farc para soltar reféns O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt O seqüestro de Ingrid Betancourt    Falando após a libertação, Ingrid disse que no cativeiro não tinha água corrente ou eletricidade. "Há muito tempo não sei o que é água quente", afirmou. Ela disse ter recebido suprimentos de maneira intermitente, e que pensava em suicídio todos os dias. "O pensamento no suicídio era diário, mas adiávamos diariamente", declarou a ex-refém à rede CNN.   A ex-candidata à presidência colombiana afirmou ainda que conseguiu sobreviver com um consumo escasso de comida, que não incluía frutas nem verduras. A má alimentação deixou Ingrid em grave estado de saúde, conhecido por fotos que a mostraram com um rosto magro e longos cabelos. "Comemos muito pouco, com pouca variação na comida", completou.   "Isto é voltar à civilização, e aqui estou", concluiu Ingrid, acompanhada de sua mãe, Yolanda Pulecio, esforçando-se para não cair em prantos.   Alertas   Em fevereiro, Luis Eladio Pérez, um ex-advogado que ficou preso junto de Ingrid, disse após ser libertado que o estado de saúde da franco-colombiana era muito grave. Segundo ele, a ex-refém estava gravemente doente, sofrendo de hepatite e outras doenças do fígado, sem ter acesso a remédios. A declaração causou grande repercussão, e aumentaram os apelos para a libertação da ex-candidata à presidência colombiana.   Detalhes sobre o estado debilitado de Ingrid surgiram após o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ter conseguido convencer as Farc no começo do ano a libertar quatro pessoas. Os reféns soltos destacavam as precárias condições do cativeiro e a saúde frágil de Ingrid.   No começo de abril, Sarkozy fez um apelo na televisão francesa para a libertação da ex-refém, dizendo que ela estava sob "risco de morte iminente". A França tinha enviado uma missão médica à selva colombiana, para tentar socorrer Ingrid. Um representante da Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) fazia parte da delegação francesa. Fracassada, a equipe retornou à França em pouco tempo.   O filho da ex-refém, Lorenzo Delloye Betancourt, declarou na época que sua mãe estava extremamente doente e fez um chamado às Farc para que a libertassem. "Ou vocês soltam minha mãe e outros reféns doentes ou vocês a enterrarão nas próximas horas", disse ele em uma entrevista coletiva, em Paris. "Este será meu último apelo. Nós chegamos ao fim."   Segundo um porta-voz de um comitê de apoio da missão francesa, Ingrid teria começado uma greve de fome em 23 de fevereiro. O filho confirmou que a ex-refém sofria hepatite B e leishmaniose, e que estava precisando de uma transfusão de sangue imediatamente.   Semanas depois do apelo de Lorenzo, o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, declarou que Ingrid poderia não estar tão doente quanto se cogitada na época. "Temos a impressão não apenas de que ela está viva, mas de que seu estado é melhor do que foi dito. No entanto, eu poderia estar enganado", destacou.     (Com BBC Brasil, Reuters e AP)  

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