Ingrid tentou fugir para o Brasil a nado, diz ex-refém

Franco-colombiana escapou ainda de várias tentativas de estupro, conta Luis Eladio Pérez

Da Redação,

07 de julho de 2008 | 14h55

A ex-candidata à Presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, e o também ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Luis Eladio Pérez, tentaram chegar ao Brasil a nado durante uma das tentativas de fuga do cativeiro na selva colombiana. A afirmação foi feita pelo ex-congressista, libertado no início deste ano, em reportagem da CNN. Ele ainda afirmou que a ex-senadora escapou de diversas tentativa de estupro nos seis anos em que foi detida pelos rebeldes.   Segundo Perez, que foi companheiro de Ingrid por cerca de quatro anos de cativeiro, os dois aproveitaram uma tempestade, por volta da meia noite do dia 20 de julho de 2005, para entrar na selva colombiana. A decisão de escapar teria sido tomada após descobrirem que os rebeldes estariam cercando o acampamento da guerrilha com arame farpado, de acordo com a CNN.   Veja também: Colômbia nega usar europeus para desviar atenção das Farc Uribe ganha apoio para 3º mandato  O drama de Ingrid Por dentro das Farc  Histórico dos conflitos armados na região    Cronologia do seqüestro de Ingrid Betancourt Leia tudo o que foi publicado sobre o caso Ingrid Betancourt O seqüestro de Ingrid Betancourt    Mesmo sem que o ex-senador colombiano estivesse totalmente recuperado de uma doença, os dois optaram pela fuga e correram até um rio, onde nadaram por pelo menos duas horas. Por cinco dias, Ingrid e Perez descansaram e se esconderam durante o dia e nadavam nas noites. "Pensamos que o rio nos levaria ao Brasil", afirmou.   Com a comida escassa e os problemas de saúde de Perez, que é diabético, eles se entregaram aos rebeldes no sexto dia. "Quando nos entregamos, os guerrilheiros adotaram a repressão total", contou o ex-refém à CNN, afirmando ainda que após o incidente, Ingrid permaneceu acorrentada por 3 anos - primeiro em árvores, depois em outros reféns. Na semana passada, a ex-refém das Farc chegou a afirmar em entrevista que vivem acorrentada 24 horas por dia durante três anos.   Ingrid chegou até a enfrentar a ameaça de abuso sexual de outros reféns, Perez afirmou. "Sem dúvida, muitas pessoas vivendo juntas é muito difícil", "existiram incidentes e conflitos diários e diferentes opiniões entre os reféns criavam atritos que resultavam em brigas", relatou o ex-senador.   "Existiram um ou dois casos em que ultrapassaram os limites em parte devido à atitude de Ingrid e sua dignidade", disse à CNN, "mas aqueles que eram amigos dela a apoiaram". Ele não deu detalhes desses episódios.   Ingrid, que estava concorrendo à presidência colombiana quando havia sido seqüestrada pelas Farc em 2002, também não detalhou os maus tratos de seus companheiros de cativeiros, ressalta a CNN.   A franco-colombiana de 46 anos contou como ela estava sendo tratada pelos seqüestradores. Ingrid disse que "sofreu terrivelmente" nas mãos dos rebeldes. Ela classificou o carcereiro, "comandante Enrique", como um homem de "crueldade especial", ao afirmar que estava amarrada pelo pescoço em outros reféns.   Doenças   Ingrid disse que sofreu uma série de problemas de saúde. Ela perdeu peso e teve problemas para se alimentar, segundo a CNN. "Eu não daria o tratamento que eu tive nem para um animal", destacou a ex-refém das Farc.   O marido da ex-senadora, Juan Carlos Lecompte, disse em uma entrevista antes da libertação da esposa que Ingrid teve problemas com alguns de seus colegas reféns. "Alguns policiais e soldados que estavam seqüestrados tentaram abusar dela", disse, "talvez porque após 10 anos na selva, eles tenham perdido a cabeça."  

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