Insulza critica hipótese de insubordinação de militar da Venezuela

Chefe do Comando Estratégico disse que Forças Armadas não aceitariam vitória da oposição

Efe,

10 de novembro de 2010 | 21h04

MIAMI- O secretário geral da OEA, José Miguel Insulza, classificou nesta quarta-feira, 10, de "algo inaceitável" as declarações do chefe do Comando Estratégico da Venezuela. O general Henry Rangel Silva havia afirmado na segunda que os militares não aceitariam um governo da oposição.

 

"Me parece inaceitável que um comandante do Exército ameace com uma insubordinação a priori. Corresponderia à autoridade civil que há na Venezuela corrigir isso", disse Insulza, de acordo com a edição digital do jornal The News Herald.

 

Em uma entrevista, Insulza afirmou que normalmente não opina sobre "coisas que dizem altos funcionários, mas neste caso faço uma exceção porque é muito grave".

 

O general Rangel declarou ao diário venezuelano Últimas Notícias que a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) desconheceria um governo da oposição se o presidente Hugo Chávez for derrotado nas eleições de 2012.

 

O militar, acusado pelos Estados Unidos de facilitar as atividades de narcotráfico das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse que os oficiais venezuelanos estão "casados" com o processo revolucionário de Chávez e que "um hipotético governo da oposição a partir de 2012 seria vender o país, isso a FAN não vai aceitar".

 

Insulza recordou que a carta democrática interamericana sinaliza que todas as autoridades se subordinam ao poder civil democrático, e "certamente as forças armadas são um elemento central nesta matéria".

 

"Acabo de denunciar uma tentativa de golpe de Estado no Equador porque um corpo armado se levantou contra a autoridade civil democrática. Portanto, não posso ser incoerente. Ninguém pode me pedir que fique calado quando outro corpo armado ameaça se insubordinar contra uma hipotética autoridade civil futura".

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