Insulza promete apoio ao governo jamaicano ante estado de emergencia em Kingston

WASHINGTON- O secretário-geral da OEA, Manuel Insulza, se disse disposto nesta segunda-feira, 24, a ajudar o governo jamaicano na situação de emergência em sua capital se for solicitado, e manifestou seu apoio ao processo de extradição do narcotraficante Christopher "Dudus" Coke aos Estados Unidos.

24 Maio 2010 | 20h51

 

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Insulza disse que ainda não falou com as autoridades jamaicanas sobre a situação do país, mas sim com sua embaixadora ante a Casa Branca e ante a Organização de Estados Americanos (OEA), Audrey Marks.

 

Insulza disse estar esperando a solicitação do governo jamaicano a sua ajuda. "Por certo isso é preocupante", disse a jornalistas após assumir seu segundo mandato a frente da OEA, em uma sessão extraordinária do Conselho  Permanente.

 

Segundo Insulza, houve outras extradições no passado, "mas nenhuma com este grau de oposição de grupos armados à ação da Justiça". Trata-se, portanto, de um "momento crucial para a região", ressaltou.

 

O secretário garantiu que tanto ele como a OEA apoiam "com todas suas forças" o governo da Jamaica. "O crime está colocando em perigo as instituições de nossos países", advertiu.

 

Nesta segunda, a Polícia e o Exército da Jamaica invadiram o principal reduto das forças do líder traficante Christopher "Dudus" Coke.

 

É o segundo dia consecutivo que as forças de segurança da Jamaica entraram em conflito com homens mascarados aliados a Dudus. As batalhas contra as gangues se espalharam pelas as favelas de Kingston. Ao menos dois policiais e um civil morreram nesta segunda.

 

Barricada montada em rua de Kingston. Foto: Andrew P. Smith/Reuters

 

Durante o dia, policiais e soldados trocaram tiros com membros de organizações criminosas ligadas a Dudus, que tenta evitar sua extradição para os EUA por acusações de tráfico de drogas e armas. Helicópteros militares equipados com metralhadoras sobrevoaram as áreas de conflito durante todo o dia.

 

A área oeste de Kingston, que inclui a favela de Trenchtown, onde o cantor Bob Marley nasceu, é o epicentro da onda de violência. Nesta segunda-feira, agentes de segurança também foram alvos de ataques fora das áreas mais pobres da cidade.

 

Homens armados abriram fogo contra policiais enquanto montavam uma barricada na favela de St. Catherine, fora da área onde o governo decretou estado de emergência. Uma delegacia foi alvejada com rajadas de tiros disparados por homens fortemente armados.

 

O ministro da Segurança, Dwight Nelson, disse que a "Polícia está no controle da situação", mas que tiros foram ouvidos em várias comunidades pobres e que a delegacia central de Kingston foi atingida por tiros.

 

Gangues

 

A violência teve início no domingo, quando chegaram ao limite as tensões sobre a possível extradição de Dudus para os EUA. Ele é descrito pelo Departamento de Justiça dos EUA como "um dos mais perigosos chefes do narcotráfico em todo o mundo". Ele lidera uma das gangues mais perigosas da Jamaica.

 

As gangues foram criadas pelos próprios partidos políticos na Jamaica para que os criminosos levassem a politização às favelas e conseguissem votos. Os grupos, porém, se voltaram ao tráfico de drogas, mas não deixaram os vínculos com os partidos. A gangue de Dudus, por exemplo, é ligada ao Partido Trabalhista.

 

O primeiro-ministro Bruce Golding evitou tratar da extradição de Dudus por nove meses, alegando que os pedidos dos EUA esbarravam em recursos jurídicos e falta d evidências. Desde que o premiê voltou a tocar no assunto, na última segunda-feira, os apoiadores do traficante passaram a montar barricadas nas ruas e se preparar para as batalhas.

 

Na sexta-feira, o departamento de Estado dos EUA emitiu um alerta de viagem avisando que o acesso a estradas que ligam ao aeroporto de Kingston poderiam ser bloqueadas, mas a Autoridade de Aviação Civil Jamaicana informou que os voo estavam chegando e partindo de acordo com o previsto no aeroporto internacional Norman Manley.

 

Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a localização e prisão de Dudus é de total responsabilidade do governo jamaicano. Uma porta-voz da embaixada americana negou os rumores de que oficiais estariam negociando com advogados do traficante.

 

O advogado de Dudus, Don Foote, se recusou a dar mais informações sobre o paradeiro de Coke, se ele estaria em seu reduto na favela dos Jardins de Tivoli ou se havia partido para outro lugar no país.

 

Na noite do domingo, Golding disse que o estado de emergência vigente em Kingston e St. Andrew dá às autoridades o poder de restringir o movimento nas ruas. Além disso, as forças de segurança podem realizar buscar e prisões sem mandados.

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