Rolando Pujol/Efe
Rolando Pujol/Efe

Intelectuais partidários de Cuba contestam campanha do 'Yo acuso'

Para apoiadores do regime castrista, Zapata foi um 'bandido comum transformado em preso político'

Efe,

16 de março de 2010 | 23h14

Um comunicado divulgado nesta terça-feira, 16, pelo governo cubano, assinado por duas associações de intelectuais simpatizantes do regime, rechaça a campanha "Yo acuso", que recolheu milhares de assinaturas de condenação à morte do dissidente preso Orlando Zapata após uma greve de fome de 85 dias.

 

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O documento, endossado pela União de Escritores e Artistas de Cuba e a Associação Irmãos Saiz, chama Zapata de "bandido comum com um histórico comprovado de violência, transformado em preso político", que "se declarou em greve de fome para que fossem instalados telefones, cozinha e televisão em sua cela".

 

"Apoiado por pessoas sem escrúpulos e apesar de tudo o que se fez para salvar sua vida, Orlando Zapata faleceu e foi convertido em um lamentável símbolo do movimento anticubano", acrescenta o comunicado dos intelectuais partidários do governo dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

 

O documento qualifica a aprovação de uma resolução do Parlamento Europeu que "condena energicamente a morte evitável e cruel do dissidente preso político Orlando Zapata" de "intromissão ofensiva" nos assuntos internos cubanos.

 

Os intelectuais governistas afirmam que a campanha "Orlando Zapata Tamayo: Eu acuso o governo cubano", apoiada por artistas e escritores iberoamericanos, "mente sem pudor algum sobre uma suposta prática" de "eliminar fisicamente a seus críticos e opositores pacíficos".

 

A condenação da morte de Zapata, considerado preso de consciência pela Anistia Internacional, foi respaldada por escritores como Antonio Muñoz Molina e Mario Vargas Llosa, e cineastas como Pedro Almodóvar.

 

FARIÑAS

 

O governo cubano tem sido duramente criticado pela comunidade internacional pelo seu tratamento aos direitos humanos após a morte de Orlando Zapata em 23 de fevereiro, um dissidente de 42 anos que fez uma greve de fome de 85 dias para protestar contras as condições carcerárias.

 

As críticas aumentaram após o dissidente Guillermo Fariñas iniciar um jejum há três semanas, em um protesto para pedir a liberdade de cerca de 26 presos políticos doentes.

 

Fariñas continua hospitalizado desde que desmaiou na semana passada e está sendo hidratado via intravenosa desde quinta-feira.

 

O governo cubano afirmou que não cederá às "chantagens" de dissidentes como Fariñas.

 

ANISTIA INTERNACIONAL

 

A Anistia Internacional divulgou nesta terça um comunicado no qual afirma que Cuba precisa de uma reforma política e judiciária, devido ao sétimo aniversário de uma operação do governo conhecida como "Primavera Negra", na qual foram presos 75 dissidentes cubanos em 18 de março de 2003.

 

"As Damas de Branco", grupo formado por esposas e mães dos prisioneiros, foram repudiadas por partidários do governo enquanto faziam uma passeata pelas ruas de Havana para lembrar o aniversário das prisões.

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