Interino pede calma em Honduras e envia grupo para diálogo

Michelleti desmente que guerra civil tenha começado no país; Zelaya ameaça voltar a partir desta quinta-feira

Efe

22 de julho de 2009 | 04h26

O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, pediu tranquilidade à população diante das declarações do líder deposto Manuel Zelaya de que uma guerra civil começou no país e de que já iniciou seu retorno ao território hondurenho. Michelleti afirmou ainda que representantes do novo governo de Honduras no diálogo viajarão nesta quarta-feira, 22, para Costa Rica.

 

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Em declarações ao jornal argentino La Nación na embaixada hondurenha em Manágua, Zelaya previu fazer uma entrada "apoteótica" em Tegucigalpa e assegurou que a "guerra civil já começou em Honduras". "Peço tranquilidade à população, temos um Exército, temos uma polícia e temos um povo pronto para enfrentar este tipo de situação", assegurou Micheletti em entrevista coletiva na residência oficial da Presidência de Honduras.

 

Micheletti desmentiu que haja "uma quantidade incrível de mortos" ou que os direitos humanos dos cidadãos estejam sendo violados, como Zelaya teria falado, e chamou essas declarações de "uma mentira a mais". "Não é correto que há mortos nas ruas, haverá mortos pela onda de criminalidade que ele (Zelaya) nos deixou", assegurou o novo presidente de Honduras.

 

No domingo passado, a segunda rodada de diálogo entre ambas as partes concluiu sem acordo. Os representantes de Micheletti chamaram de "inaceitável" a proposta apresentada pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, que apontava para a restituição de Zelaya no poder. Arias, cujo papel de mediador conta com amplo apoio da comunidade internacional, deu um prazo de 72 horas - que vence nesta quinta - para convencer Micheletti a aceitar suas propostas, pois teme que uma guerra civil estoure em Honduras.

 

O presidente deposto de Honduras confirmou voltará a seu país a partir desta quinta e responsabilizou o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas hondurenhas, general Romeo Vásquez, caso venha a ser morto. "Eu responsabilizo, por minha vida, por minha segurança, o general Romeo Vasquez", afirmou Zelaya em entrevista coletiva concedida na embaixada de Honduras em Manágua."Se algo me acontecer no caminho para Honduras, o responsável por meu assassinato, minha morte, será o general Romeo Vásquez", insistiu o governante hondurenho, detido e expulso de seu país pelos militares em 28 de junho e destituído pelo Parlamento, que nomeou Roberto Micheletti em seu lugar.

Zelaya confirmou que iniciará seu retorno por meio de "qualquer um dos pontos fronteiriços de Honduras com Guatemala, El Salvador ou Nicarágua" a partir desta quinta, quando vence o prazo de 72 horas pedido pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, em seu papel de mediador, para encontrar uma saída para a crise."A partir das 72 horas inicio meu retorno legítimo ao país. Não darei detalhes de como o farei, porque são estratégias que tenho que preservar", justificou. O governante deposto disse que só falará "o horário e a forma" de seu retorno aos jornalistas que o acompanharem.

 

Texto atualizado às 7h50.

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