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Interpol emite mandado contra opositor, diz Venezuela

Líder antichavista foragido no Peru, Manuel Rosales diz em entrevista que queriam matá-lo na prisão

Efe e Associated Press,

23 de abril de 2009 | 14h48

A Interpol emitiu uma ordem de captura internacional contra o líder opositor venezuelano Manuel Rosales, acusado de corrupção e que atualmente está no Peru, onde pediu asilo político, informou nesta quinta-feira, 23, o diretor da polícia científica da Venezuela, Wilmer Flores. Em Lima, onde se encontra para pedir asilo político, Rosales disse ao diário peruano El Comercio que buscavam prendê-lo na Venezuela, para em seguida assassiná-lo na prisão.

 

Após incluída a ordem de captura no sistema policial mundial, as autoridades venezuelanas agora querem que seja dado alerta máximo, o que se classifica como "difusão vermelha", disse Flores, em entrevista coletiva. A inclusão de Rosales na lista da Interpol de pessoas procuradas foi solicitada na quarta-feira pelo tribunal de Caracas que tramita seu caso e que ordenou privá-lo de liberdade, porque o líder opositor mostrou não ter "vontade de se submeter no processo contra ele".

 

Rosales disse que saiu de seu país por estar convencido de que queriam enviá-lo para a prisão, para depois matá-lo. Ele concedeu entrevista exclusiva ao jornal peruano El Comercio, publicada nesta quinta-feira. Rosales, duro opositor do presidente Hugo Chávez, chegou a Peru em 4 de abril em busca de asilo político. Ele formalizou o pedido na terça-feira. Na Venezuela, Rosales enfrenta um processo de enriquecimento ilícito, que ele afirma ser baseado em acusações falsas.

 

A Procuradoria venezuelana acusa de enriquecimento ilícito o atual prefeito da cidade de Maracaibo, capital de Zulia, por crimes que supostamente cometeu entre 2002 e 2004 durante sua gestão como governador desse estado, fronteiriço com a Colômbia. Rosales disse que os aproximadamente US$ 23 mil alvos da investigação são rendimentos obtidos em sua atividade no setor agropecuário. Ele também afirmou que pagou todos os impostos previstos.

 

"Vivi nos últimos dias na Venezuela uma situação perigosa e muito delicada, a propósito de uma caçada que se desatou contra mim, por razões eminentemente políticas", afirmou ele ao jornal. O jornalista que o entrevistou foi levado ao encontro de Rosales em um local do distrito de Barranco, na capital Lima. O ex-candidato presidencial assinalou que suportava um cerco policial "muito forte", sem que existisse uma ordem formal de prisão, o que o levou a suspeitar de que "poderia haver algo mal". Rosales relatou que na última segunda-feira, estava com uma audiência de seu processo marcado, quando recebeu uma sentença contra ele, já preparada.

 

"Me prenderiam, enviariam para uma prisão que se chama La Planta, que tem condições desumanas", afirmou. "Queriam me encarcerar simplesmente para que me matassem...saio da Venezuela para proteger minha integridade física, porque podiam me matar e depois dizer que me enfrentei com eles (presos)", disse.

 

O prefeito contou que era permanentemente seguido por grupos de policiais, apoiados "pelos cubanos que sempre andam com essas forças". Em 27 de março, quando concedeu entrevista ao canal Globovisión, a polícia política e a militar cercaram o local, relatou. Rosales disse que conseguiu escapar, despistando os agentes, e decidiu se esconder em uma das casas da família. "Então com meus companheiros políticos decidimos que eu saísse do país, porque o cerco era muito forte", afirmou.

 

O oposicionista disse ainda que o fato de ter deixado a Venezuela não o anula politicamente, pois ele possui um grande apoio no país. Ele evitou falar de política, após na véspera receber uma reprimenda do ministro das Relações Exteriores peruano, José Antonio García Belaúnde, após dirigir uma mensagem aos venezuelanos qualificando Chávez como "ditadorzinho" e "covarde". García Belaúnde disse que nenhum estrangeiro deveria usar o Peru como "plataforma política", porque além disso essa atitude contradiz os princípios do direito de asilo. O ministro adiantou que provavelmente em duas semanas o Peru deve ter uma resposta ao pedido de asilo de Rosales.

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