Intimação de prefeito de Buenos Aires acentua crise política na Argentina

Mauricio Macri é acusado de estar envolvido em escândalo de escutas ilegais

EFE

06 de abril de 2010 | 12h59

BUENOS AIRES - Uma intimação para que o prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, fale em um caso de um escândalo de espionagem envolvendo políticos e empresários acabou desatando nesta terça-feira em uma nova polêmica entre a administração portenha e o Governo de Christina Fernández.

 

As autoridades da prefeitura de Buenos Aires reagiram, indignados perante a decisão do juiz federal Norberto Oyarbide de chamar Macri para prestar depoimento no próximo dia 28 como suspeito de formar parte de uma associação ilícita que fez escutas telefônicas ilegais.

 

As acusações envolvem a Polícia Metropolitana, em funcionamento na capital argentina desde o começo do ano e criada por Macri, líder da aliança conservadora Proposta Republicana (Pro). Dois ex-policiais já foram presos.

 

O magistrado Oyarbide também intimou para se pronunciar nos próximos dias o ministro da Justiça e Segurança portenho, Guillermo Montenegro, o ex-ministro da Educação da cidade, Mariano Narodowski, que renunciou em 2009 por conta desse mesmo escândalo, e o primeiro-chefe da polícia portenha, Jorge "Fino" Palacios, um dos detidos no caso.

 

"Estamos acostumados com o fato do Governo usar alguns juízes para fazer política", afirmou o chefe do Gabinete municipal, Horacio Rodriguez Larreta, em declaração a uma rádio.

 

O secretário geral da capital, Marcos Peña, considerou sua chamada para o interrogatório "Uma manobra de cumplicidade" entre o Governo e o juiz federal.

 

O próprio Macri disse em sua defesa que "é difícil entender a decisão de Oyarbide", mas assegurou que está "muito tranquilo" porque não tem "nada a ver com as escutas".

 

"Não vou responder a nenhum tipo de contestação difamatória ou desqualificadora porque elas têm um único propósito, que é me tirar da razão para me prejudicar na invertigação, e isso não vai acontecer" respondeu o juiz em declarações a rádios e emissoras de TV.

 

O ministro argentino do Interior, Florencio Randazzo, considerou que as acusações do Governo portenho sobre a existência de uma suposta "intencionalidade política" neste caso "são uma grande irresponsabilidade".

 

"Aquém mais interessavam essas escutas que não a Macri?" se perguntou o ministro.

 

O escândalo das escutas já havia desatado ano passado em uma tormenta política entre o Governo peronista de Fernández e o Governo de Macri, que se propõe a ser candidato presidencial do aliança conservadora Pro nas eleições gerais de 2011.

 

O caso de espionagem ficou conhecido em outubro passado, quando suspeitaram de escutas ilegais em Sergio Burstein, familiar de uma vítima do atentado contra a entidade judia AMIA por parte do ex comissário Palacios, a quem Macri havia encarregado a tarefa de criar a Polícia Metropolitana.

 

Palacios, que está sendo processado por dissimulação no atentado de 1994 contra AMIA, em que morreram 85 pessoas, renunciou à direção da força metropolitana pouco depois de tomar conhecimento do escândalo.

 

Segundo Burstein está "mais que suficientemente demonstrado" que Macri tinha "responsabilidade e conhecimento de tudo o que estava ocorrendo com as escutas ilegais", e pediu que "pague por isso".

 

Os investigadores do caso encontraram informações sobre as espionagens ilegais em computadores apreendidos em uma agência de segurança controlada por Palacios e que está também supostamente relacionada com o antigo subchefe da Polícia Metropolitana Osvaldo Chamorro, que foi destituído por Macri novembro passado

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