Invasão de fazendas não tem motivação xenófoba, diz Lugo

Camponeses tomam terras de brasiguaios por 'necessidade', avalia presidente paraguaio, pedindo racionalidade

Efe,

24 de outubro de 2008 | 18h01

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, considera que as ocupações de propriedades de brasileiros em terras paraguaias são motivadas mais pela necessidade dos camponeses do que por atitudes xenófobas. As ocupações de fazendas em reivindicação de uma reforma agrária aumentaram em várias regiões do país após a posse de Lugo, em 15 de agosto, e alguns dos movimentos dos sem-terra ameaçaram expulsar das propriedades os chamados brasiguaios. Veja também:Para Itamaraty, Lugo pode fazer pouco para brasiguaios'Imperialismo' brasileiro preocupa região  Decreto permitiria retaliação do País em caso de ataque  Manobras do Exército irritam Lugo   Em entrevista à Agência Efe, o governante pediu racionalidade para buscar uma saída à tensão instalada no campo ao afirmar que os movimentos camponeses são "movidos pela necessidade" e que não devem ser interpretados "como uma atitude xenófoba, de perseguição a estrangeiros". Calcula-se que 300 mil brasileiros, muitos deles com extensas propriedades agrícolas, residem no Paraguai em vários departamentos (estados), principalmente fronteiriços com o Brasil, e grande parte deles se dedicam ao cultivo da soja. "Muitos dos chamados brasiguaios já são paraguaios, têm seus filhos, seus netos e estão (radicados) legalmente sem motivo de preocupação", referiu Lugo, que disse ainda que até agora foram registradas 74 ocupações desde que se instalou seu governo. Lugo fez nesta sexta uma visita de governo a San Pedro, epicentro das ameaças de ocupação e região em que durante mais de uma década foi bispo e em onde grupos de camponeses seguem acampados perto de fazendas e granjas agrícolas. O assédio dos sem-terra aos brasiguaios acontece no momento em que os governos de Brasil e Paraguai discutem as reivindicações paraguaias sobre os benefícios da hidrelétrica de Itaipu, compartilhada por ambos os países.  Sobre o assunto, Lugo ratificou que "nenhum dos seis pontos colocados pelo Paraguai para um acordo foram rejeitados". "Acho que um já está contemplado como uma espécie de acordo e consenso", disse o presidente, que explicou que o assunto será debatido em reunião técnica programada para segunda-feira na área da represa. O governante destacou, além disso, que a possibilidade de dispor livremente de energia excedente pode permitir ao Paraguai negociar por conta própria no mercado brasileiro ou, inclusive, na Argentina, com quem compartilha a hidrelétrica de Yacyretá. "O que se busca com a livre disponibilidade da energia é poder vendê-la a preço de mercado da ANDE (Administração Nacional de Eletricidade), que é co-proprietária e ver inclusive o mercado argentino", afirmou ele.

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