Irã e Venezuela criticam imperialismo e anunciam nova era

'O imperialismo não tem opção: tem que respeitar os povos ou aceitar a derrota', disse o presidente iraniano

Efe,

28 Setembro 2007 | 01h10

Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, reafirmaram na quinta-feira, 27, a sua vocação "antiimperialista", e disseram que está começando uma nova "época de justiça" para os povos "oprimidos" do mundo.  Os dois governantes trocaram elogios pelas suas atuações no cenário internacional atual, durante um ato oficial em que Ahmadinejad foi recebido no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas. Ele chegou à Venezuela para uma reunião curta e "muito particular" com Chávez. Ahmadinejad lamentou o pouco tempo que poderá passar na Venezuela, na sua terceira visita ao país desde que assumiu o poder, em 2005. Mas afirmou que "certamente, num futuro muito próximo" fará uma visita mais longa. "Todos nós venezuelanos nos sentimos verdadeiramente orgulhosos por sermos seus irmãos, amigos do Irã, e por compartilharmos este caminho da revolução, da dignidade dos povos, da soberania. O caminho da luta contra o imperialismo", declarou Chávez ao receber o seu colega iraniano. Num ato transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, o líder venezuelano citou a visita de Ahmadinejad, na segunda-feira, à universidade de Columbia, nos Estados Unidos. "Um porta-voz imperial tentou desrespeitá-lo, chamando-o de pequeno e cruel tirano", disse. "Você respondeu com a altura dos revolucionários, com a força moral do povo irmão do Irã. Nós nos sentimos representados. A Venezuela aplaude seu valor e sua coragem", acrescentou Chávez. Ele considerou o seu colega iraniano "um dos grandes lutadores antiimperialistas deste momento", quando, na sua opinião, começa "uma mudança de época", e "um dos grandes lutadores pela paz verdadeira, que é a situação de justiça que os povos clamam". O presidente iraniano chamou o seu "irmão de coração" Chávez de "grande revolucionário da América Latina". "É um grande homem, revolucionário e valente, que dedica a sua vida ao avanço do povo venezuelano, à revolução e ao despertar do povo latino-americano", acrescentou. Ele ainda previu que os governos e povos do Irã e da Venezuela "estarão sempre juntos na cena mundial", lutando pela paz e prosperidade dos "povos oprimidos". "Os povos do Irã e Venezuela e seus líderes têm grande responsabilidade no cenário mundial. O futuro luminoso será dos povos revolucionários. O imperialismo não tem opção: tem que respeitar os povos ou aceitar a derrota", disse Ahmadinejad. O presidente iraniano acrescentou que os dois países "estarão ao lado de todos os povos revolucionários no mundo" como "o povo oprimido da Bolívia, o querido povo da Nicarágua, o povo revolucionário de Cuba, o povo equatoriano, uruguaio". Para Ahmadinejad, o mundo quer o "fim da exploração e do materialismo", porque "os sinais de despertar e revolução aparecem em diferentes povos". Acordos bilionários Os dois governos assinaram nos últimos dois anos vários acordos nas áreas energética e econômica, avaliados em cerca de US$ 17 bilhões, segundo dados oficiais. Chávez tem apoiado o plano nuclear do Irã por seus fins "pacíficos".  Ahmadinejad também visitou na quinta-feira a Bolívia pela primeira vez para assinar acordos bilaterais com o governo do presidente Evo Morales. Os dois países firmaram um plano de cooperação de US$ 1,1 bilhão para os próximos cinco anos nas áreas de tecnologia e industrial.  Ministros iranianos e bolivianos assinaram diversos acordos relativos a hidrocarbonetos, mineração, agricultura, recursos naturais, água, ciência e tecnologia, entre outras áreas.  De acordo com jornal boliviano La Prensa, fontes governamentais teriam afirmado que entre os acordos assinados pelos dois presidentes estaria a exploração de lítio e urânio na região andina do país.

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