Irã pede que Cuba intervenha na crise na América do Sul

Chanceler diz que governo iraniano está preocupado com a crise; Teerã tem negócios com a Venezuela

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

05 de março de 2008 | 08h55

O governo do Irã pediu que Cuba intervenha na crise sul-americana desencadeada após a operação do Exército colombiano contra as Farc em território equatoriano, que provocou a morte de Raúl Reyes. O chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, revelou nesta quarta-feira, 5, nas Nações Unidas, que conversou com o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Perez Roque, pedindo que Havana tenha um papel na crise. "Estamos muito preocupados com a agressão na região", disse o iraniano, que tem acordos de cooperação com a Venezuela.  Veja também:Dê sua opinião sobre o conflito   Por dentro das Farc Entenda a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela  Histórico dos conflitos armados na América do Sul  Correa diz que irá 'até as últimas conseqüências por soberania'Lula pede investigação da OEA sobre crise Colômbia-EquadorAnálise: 'É possível que as Farc se desarticulem'   Ouça relato de Expedito Filho, enviado especial ao Equador   "Equador, Colômbia e Venezuela fazem parte do Movimento dos Países Não Alinhados e pedimos a Cuba, como presidente do grupo, que faça todo o possível para acalmar a situação de forma pacífica e diplomática", disse Mottaki. Segundo ele, a ligação entre drogas e terrorismo na região promete continuar a gerar tensões. Outro problema seriam os canais de transferência dessas drogas para o mercado dos Estados Unidos. Os presidentes Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad se encontraram no final de 2007, quando estreitaram laços econômicos e diplomáticos. A proximidade de Ahmadinejad entre Chávez e governo aliados da Venezuela preocupa líderes esquerdistas venezuelanos e Washington, que acusa o Irã de patrocinar o terrorismo. Chávez defende ainda o programa nuclear iraniano, afirmando que ele tem fins pacíficos e não a produção de armas atômicas. Segundo a BBC,  Ahmadinejad e Chávez têm afinidade no discurso antiamericano, além de interesses econômicos semelhantes em relação ao petróleo, com a aliança na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

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