Ed Ferreira/Agência Estado
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Irã usa Brasil, China e Turquia para evitar sanções, diz Hillary

Amorim defende negociações com Teerã; Lula diz que não é prudente encostar o país contra a parede

Luiz Raatz, estadao.com.br

03 de março de 2010 | 15h19

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta quarta-feira, 3, em entrevista coletiva ao lado do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que o Irã usa apoio do Brasil, da Turquia e da China por mais diálogo sobre seu programa nuclear para evitar sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

 

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A chefe da diplomacia americana disse também que a comunidade internacional precisa usar o mesmo tom com Teerã para esclarecer as preocupações sobre a questão nuclear iraniana. A entrevista foi transmitida pelo canal a cabo Globonews.

 

"O Irã fala com o Brasil, a China e a Turquia, e para cada um conta uma história diferente, com o objetivo de evitar sanções", disse Hillary. "Quando a comunidade internacional falar no mesmo tom, o Irã vai responder. Por isso achamos que o Conselho de Segurança é o melhor caminho".

 

Os três países hesitam em apoiar sanções no Conselho de Segurança da ONU. A China tem poder de veto, enquanto Ancara e Brasília ocupam assentos temporários. (Veja gráfico no fim da matéria).

 

Amorim disse que o Brasil ainda acredita que um acordo é possível e citou os temores infundados sobre o programa nuclear iraquiano, que levaram a invasão do país em 2003, como exemplo de que as negociações devem continuar. "Eu fui embaixador na ONU durante os momentos críticos sobre o Iraque. E o que se viu é que foi um engano", afirmou.

 

O chanceler brasileiro disse ainda que uma ampliação da negociação não deve ampliar os temores de EUA, UE e Israel sobre um programa nuclear militar. "Mesmo quem teme que o Irã faça a bomba atômica sabe que isso não acontecerá num espaço de dois ou três meses de negociação", acrescentou.

 

Para Amorim, não se trata do Brasil se negar a unir-se ao consenso internacional. "Não se negocia por pressão", argumentou o ministro.

 

Apesar das divergências, Hillary disse que Brasil e EUA concordam que o Irã não deve ter armas nucleares. "Vamos continuar consultando nossos amigos brasileiros e uma hora vamos ter de tomar uma decisão. Nunca fechamos a porta para negociação, mas não vemos ninguém andando nessa direção", disse.

 

"O tempo para a ação internacional é agora. Apenas depois de aprovarmos as sanções no Conselho de Segurança o Irã vai negociar de boa fé", completou a diplomata, que pela manhã  havia reiterado a senadores e deputados que esperava o apoio brasileiro no Conselho de Segurança para sancionar o Irã

 

Lula

 

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o diálogo com o Irã e disse que a comunidade internacional não deve pressionar Teerã.

 

"Não é prudente encostar o Irã na parede. É preciso estabelecer negociações com aquele país. Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: usar energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã for além disso, não poderemos concordar", disse Lula durante rápida entrevista, após o lançamento do Portal Brasil.

 

Acordos

 

Antes da entrevista, Amorim e Hillary assinaram acordos bilaterais nas áreas de mudança climática, direito da mulher e combate a pobreza.

 

Após conversar com jornalistas, Hillary encontrou Lula na sede do Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília. Segundo Amorim, o encontro foi interessante e agradável. A secretária de Estado segue depois para São Paulo.

 

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Infográfico:

 

 

Matéria atualizada às 18h50 para acréscimo de informações

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