Irmã de Ingrid acusa Uribe de se aproveitar do estado da refém

Colômbia 'está ampliando os rumores a respeito da saúde de Ingrid para justificar presença militar na área', diz

Efe,

04 de abril de 2008 | 15h06

A irmã da ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt, Astrid, acusou nesta sexta-feira, 4, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, de tirar vantagem dos rumores sobre o estado de saúde da refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para justificar a presença militar nas áreas ocupadas pela guerrilha. "O governo colombiano está ampliando os rumores a respeito da saúde de Ingrid para justificar sua presença militar na área", declarou Astrid Betancourt em um entrevista coletiva em Paris. Astrid afirmou ainda que a missão humanitária enviada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, tem "ínfimas" chances de sucesso, mas agradeceu a tentativa.   Veja também: Guerrilheiro das Farc se entrega com dois seqüestrados Sarkozy está pronto para integrar missão de resgate Filho de Ingrid pede que a mãe resista e que as Farc a libertem Guerrilha só libertará se houver troca de presos Conheça a trajetória de Ingrid Betancourt  Por dentro das Farc  Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região     Militares colombianos disseram que tropas adicionais foram enviadas para a área em que os rebeldes mantêm os reféns na selva, embora tenham se recusado a citar números de militares. "Isto não é boa coisa. Eles colocam a vida dos reféns em risco e não contribuem com o clima de confiança necessário para que as Farc negociem", disse Astrid.   Um avião da França chegou à Colômbia na quinta-feira para tentar entrar em contato com as Farc e obter acesso a Ingrid Betancourt para prestar atendimento médico, já que estado de saúde da ex-candidata presidencial seria grave, segundo diversas informações.   A irmã da refém agradeceu à França o esforço que está fazendo para a libertação de Ingrid, mas apostou mais no caminho da negociação do que das medidas unilaterais. "O êxito desta missão humanitária dependia de um milagre, porque não foi feita em coordenação com as Farc nem pelos caminhos freqüentes, que passavam por ter avisado ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez", disse Astrid.   "Sabemos que Ingrid não está bem, porque a vimos muito magra nos últimos vídeos, porque ela dizia que tinha problemas para comer na carta que enviou a minha mãe e porque assim contou Luis Eladio Pérez, que compartilhou cativeiro com ela", disse. Para Astrid, no estado de fragilidade de Ingrid, uma greve de fome seria "suicida."   A irmã de Ingrid fez uma chamada às Farc e ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, para que retomem "o caminho da negociação" com a mediação de Chávez, "que é quem tem as chaves e os contatos para abrir o diálogo". "Nenhum dos dois pode permitir que minha irmã morra. Seria uma vergonha para Uribe e o princípio do fim para as Farc", disse.   Astrid ainda pediu à comunidade internacional que pressione as partes para que "criem o clima de confiança" que permita o diálogo e que se retome o mapa de caminho do plano delineado pelo ex-senador Luis Eladio Pérez, libertado em fevereiro pelas Farc.

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