Itália ratifica prisão perpétua para 'anjo da morte' argentino

Ex-oficial da Marinha Alfredo Astiz foi condenado pelo desaparecimento de três italianos durante a ditadura

Efe,

26 de fevereiro de 2009 | 18h29

A Suprema Corte da Itália confirmou nesta quinta-feira, 26, a pena de prisão perpétua imposta ao ex-oficial da Marinha argentina Alfredo Astiz, conhecido como o "anjo louro da morte" e que foi condenado pelo desaparecimento de três italianos durante a ditadura militar de seu país (1976-1983). Acusado do desaparecimento dos italianos Angela María Aietta Gullo, Giovanni Pecorato e Susana, filha do casal e que estava grávida quando foi detida pela ditadura argentina, Astiz já havia sido condenado à prisão perpétua em primeira instância (14 de março de 2007) e pela corte de apelação (24 de abril de 2008). Junto com Astiz, também foram condenados à mesma pena, por homicídio múltiplo, os ex-militares argentinos Jorge Eduardo Acosta, Jorge Raul Vildoza e Antonio Vañek. Todos foram condenados à revelia, já que nenhum assistiu ao Processo. Somente o ex-oficial da Marinha, atualmente preso na Argentina, recorreu da sentença do Supremo italiano perante o Tribunal de Apelação. Astiz sempre rejeitou este processo, ao considerar que "um magistrado italiano não tem competência para julgar estes casos". Durante a audiência desta quinta, o promotor Luigi Ciampoli pediu ao Supremo a confirmação da prisão perpétua contra Astiz, após lembrar "a desumana ferocidade das torturas às quais foram submetidos os detidos na Escola Superior de Mecânica da Marinha, entre os quais estavam os três italianos." Na audiência, a advogada do Estado Valeria Vinci-Orlando também pediu ao Supremo para confirmar a pena contra o ex-tenente da Marinha argentina. No julgamento, se apresentaram como parte civil o Estado italiano, a região da Calábria e a província de Cosenza, de onde era originária Angela Maria Aietta, assim como a ONG Avós da Praça de Maio e parentes dos desaparecidos. No processo, o promotor explicou que Angela Aietta, que foi dada por desaparecida em 5 de agosto de 1976, foi "eliminada" por apoiar os opositores ao regime, entre os quais se encontrava seu filho, Juan Carlos Dante Gullo, atual deputado na Argentina. Giovanni Pecorato e sua filha Susana, militante peronista, foram detidos em 18 de junho de 1977. Soube-se que a jovem deu à luz uma menina durante sua detenção e que a criança foi entregue a uma família. Neste processo também era acusado o ex-militar argentino Emilio Massera, de 81 anos, mas sua causa foi separada do sumário principal à espera de novos relatórios médicos sobre sua saúde. Em 4 de março, um tribunal de Roma decidirá se processará o ex-ditador Massera, após receber um novo estudo que certifica que está em "plenas faculdades" para enfrentar o julgamento.

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