Itamaraty identifica nove feridos em confito no Suriname

Há mais de cem pessoas recebendo atendimento especial, entre abrigo, alimentação e cuidados médicos

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

27 de dezembro de 2009 | 12h24

O Itamaraty identificou até agora nove brasileiros feridos durante um ataque por parte de surinameses, ocorrido na véspera do Natal, em Albina, distante cerca de 150 quilômetros a leste de Paramaribo, capital do Suriname. A informação sobre o número de feridos já identificados foi transmitida pelo consulado-geral do Brasil em Caiena, capital da Guiana Francesa. Funcionários do consulado já chegaram a Albina.  

 

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Entre as pessoas localizadas está uma mulher grávida que perdeu o bebê após o confronto. Os feridos foram encontrados pela cônsul-geral do Brasil na Guiana Francesa, Ana Lélia Beltrame, na cidade de

Saint-Laurent-du-Maroni, no território francês. A localidade faz fronteira com o Suriname e é separada de Albina pelo Rio Maroni.

 

De acordo com o Itamaraty, nenhum dos feridos que cruzaram a fronteira estão em estado grave. A mulher que perdeu o bebê, informou o Ministério das Relações Exteriores, está com um ferimento na mão, mas sem gravidade.

 

Há mais de cem pessoas recebendo atendimento especial em Albina, a 150 quilômetros de Paramaribo, no Suriname, onde ocorreu um violento ataque na quinta-feira (24) à noite, véspera de Natal. Entre essas ajudas, estão abrigo, alimentação e cuidados médicos. Em entrevista à Agência Estado, o padre José Vergílio, diretor da Rádio Katolica, do Suriname, afirmou que a maioria é brasileira, mas há também chineses, peruanos, dominicanos e colombianos. Padre José estima que haja pelo menos 91 feridos, sendo 30 chineses e 60 brasileiros. Ele também reafirmou que tem a informação de que há 7 mortos, sendo 3 brasileiros, 1 surinamês e outros 3 de nacionalidade não-informada.

 

As vítimas do ataque estão instaladas em hotéis e outros locais providenciados pelo governo do Suriname e recebem atendimento do Exército, da rádio e também de outros voluntários. "O governo surinamês prestou ajuda a essas pessoas desde o primeiro momento e já pediu desculpas formalmente aos brasileiros", afirmou o padre.

 

O padre confirmou que houve grande violência contra os brasileiros e que há vários relatos de estupro contra mulheres. "Foi muito grave, há relatos terríveis", afirmou. Ele afirmou que o assassinato de um morador local da etnia marron por um brasileiro pode ter sido a "gota d'água" para o conflito e que o clima de tensão na região é intenso.

 

O ataque teria sido em reação ao assassinato de um cidadão do Suriname cometido horas antes por um brasileiro, de acordo com notícias não-oficiais. Neste momento, José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil no Suriname, está a caminho de Albina. Ele está acompanhado do terceiro homem da chancelaria do Suriname, Robby Ramlakhan, que é diretor-geral de Integração do país vizinho. Também está no comboio o adido militar brasileiro em Paramaribo.

 

Os diplomatas estão sendo escoltados por três veículos do Suriname. O Itamaraty informou que eles estão se dirigindo a Albina para verificar o que ocorreu, não para fazer investigações, porque isso é um papel das autoridades do Suriname .

 

Às 7 da manhã a Força Aérea Brasileira (FAB) autorizou a decolagem de um avião Brasília para o Suriname. A aeronave leva dois diplomatas brasileiros - um assessor da Secretaria-Geral, especializado em apoio humanitário, e um outro, da Subsecretaria-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior. O avião deve pousar em Paramaribo por volta das 14 horas.

 

Foto divulgada pela rádio Katolica após o conflito que vitimou brasileiros no Suriname.  

 

De acordo com o Itamaraty, o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antonio de Aguiar Patriota, já fez contato com a embaixadora Jane Aarland, ministra interina das Relações Exteriores do Suriname. Ouviu dela a informação de que o Suriname já mobilizou suas forças militares para garantir a segurança dos brasileiros.

 

Não foi ainda confirmada a notícia de que brasileiros foram mortos no ataque, embora o padre José Vergílio tenha relatado a morte de pelo menos sete pessoas.

 

Conforme informações obtidas no Suriname, a confusão começou durante uma festa na noite do dia 24. Um brasileiro teria discutido e esfaqueado um surinamês, causando a sua morte. O brasileiro teria fugido. Depois da briga, um grupo de cidadãos do Suriname fez o ataque, com paus e facões, segundo os relatos.

 

Cerca de vinte mulheres brasileiras teriam sido vítimas de violência sexual, mas o Itamaraty não confirme essa informação. Disse apenas que foi identificada a brasileira que estava grávida e que teria perdido o bebê. Ela, de fato, foi ferida.

 

 

Ainda conforme as informações do Itamaraty, boa parte dos brasileiros que vivem em Albina trabalham em garimpos de ouro, atividade proibida no Suriname. São quase todos ilegais. Com 10 mil habitantes, Albina fica na fronteira do Suriname com a Guiana Francesa. De lá, os garimpeiros fazem incursões para um e outro país.

 

Na Guiana Francesa a ordem é para que todo brasileiro ilegal que esteja explorando garimpos no país seja deportado para Manaus, que fica muito distante do Amapá, Estado por onde eles costumam avançar até a Guiana. Largando-os em Manaus, justificam as autoridades da Guiana Francesa, eles demoram mais a voltar.

 

(Com Agência Brasil)

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