Jobim diz que Farc serão recebidas a tiros se invadirem o Brasil

Ministro da Defesa ressalta que autoridades brasileiras avaliam cenários possíveis, não prováveis

Efe e Reuters,

10 de abril de 2008 | 08h44

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou na quarta-feira, 9, que o Exército brasileiro receberia "à bala" as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), caso seus guerrilheiros violassem a fronteira brasileira. Em entrevista coletiva, o ministro informou que o Brasil tem desdobrados 27.236 militares na fronteira da região amazônica, negou que atualmente exista qualquer conflito na região e afirmou que a "forma de receber o invasor seria a militar".   Veja também: Brasil é chave para acordo com Farc, diz Samper Sinais particulares de Ingrid, por Loredano Conheça a trajetória de Ingrid Betancourt  Por dentro das Farc  Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região     Jobim insistiu que as autoridades avaliam cenários possíveis, não prováveis. "Não há nenhum país ameaçando o Brasil, mas precisamos de uma força dissuasiva para a remova possibilidade de que [uma invasão] aconteça", disse Jobim na entrevista coletiva.   O ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger apresentou um relatório preliminar sobre um estudo, iniciado em setembro, a respeito das prioridades defensivas do país. "Hoje a Amazônia é nosso maior foco de preocupações de segurança", disse o ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. Em entrevista coletiva em Brasília, Unger disse que uma das potenciais ameaças seria "uma guerra assimétrica na Amazônia, ou seja, uma guerra contra uma potência muito superior, que nos forçaria a uma guerra de resistência nacional."   Outros cenários incluiriam uma ação militar de um país vizinho patrocinado por uma grande potência, bem como incursões de forças irregulares ou paramilitares, segundo ele. Uma defesa adequada da maior floresta tropical do mundo exigiria um desenvolvimento sustentável e um plano de proteção ambiental. "Uma região vasta sem estruturas produtivas e sociais não pode ser defendida", afirmou Unger.   O governo está mapeando potenciais riscos de defesa para guiar as Forças Armadas em futuras aquisições bélicas, bem como no treinamento e deslocamento de tropas, segundo os ministros. "De todos os grandes países na história do mundo moderno, o Brasil é de longe o menos beligerante", disse Unger. "Mas isso não nos isenta da necessidade de nos defender."   Muitos militares e diplomatas brasileiros alertam para interesses estrangeiros nos recursos naturais da Amazônia. Eles citam organizações não-governamentais e pesquisadores acusados de roubar o conhecimento de plantas medicinais para seu uso na biotecnologia.

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