Arquivo/Efe
Arquivo/Efe

Jornal de Nova York ordena revisão interna após caso de jornalista espiã

Vicky Peláez, que escrevia para o El Diario, foi deportada para Moscou com mais nove espiões

AP,

21 de julho de 2010 | 18h56

NOVA YORK- O maior jornal hispânico de Nova York se sentiu "traído" quando uma de suas jornalistas se declarou culpada por participar de uma rede de espionagem russa e criará uma comissão independente para revisar suas práticas editoriais, anunciou o periódico em um editorial nesta quarta-feira, 21.

 

O El Diario-La Prensa falou de Vicky Peláez, uma jornalista peruana que recentemente foi culpada junto a outras nove pessoas de associação criminosa para atuar como agente secreto da Rússia nos Estados Unidos, e foi deportada para Moscou com seu marido e os outros espiões como parte de uma troca.

 

"Quando Peláez e os outros se declararam culpados de conspirar para atuar como agentes sem registro de um governo estrangeiro, nos sentimos traídos tanto como jornalistas como americanos", afirmou o jornal.

 

Peláez, nascida em Cusco, estava há 22 anos trabalhando para o El Diario-La Prensa, o maior jornal em espanhol de Nova York.

 

O periódico declarou que, embora nenhum dos crimes acusados contra Peláez estivessem relacionados com seu trabalho para o jornal, "em áreas de transparência, estamos convocando uma comissão acadêmica independente para revisar nossas práticas". "Sabemos que a credibilidade é a essência de nosso trabalho", afirmou o diário.

 

O editorial com as declarações foi publicado em resposta ao Wall Street Journal, que criticou o El Diario por "adotar" a política claramente esquerdista de Peláez e permitir que o governo cubano a pagasse uma viagem em 2006 à ilha, o que foi negado pelo jornal hispânico.

 

Juan Lázaro, marido de Peláez, confessou às autoridades depois de sua prisão que este não era seu nome verdadeiro e que tinha nascido na Rússia e não no Uruguai.

 

Há duas semanas, Peláez, Vasenkov e outros oito acusados foram trocados por quatro russos que espionavam para os EUA em Moscou. O acordo foi considerado a maior troca de espiões entre os dois países desde a Guerra Fria.

 

"Os leitores do El Diario, uma instituição que tem uma tradição, sabem distinguir entre as ações de uma só pessoa e as de um jornal com uma história de quase 100 anos", concluiu o editorial desta quarta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.