Jornalista mexicano ameaçado de morte recebe asilo dos Estados Unidos

Jorge Luis Aguirre, que era repórter em Ciudad Juárez, fugiu para El Paso, no Texas, em 2008

AP,

23 de setembro de 2010 | 22h15

SAN ANTONIO, EUA- Um jornalista mexicano ameaçado de morte afirmou nesta quinta-feira, 23, que os Estados Unidos o concederam asilo, no que provavelmente é o primeiro caso do tipo desde que o governo do México começou a empreender uma sangrenta guerra contra o narcotráfico.

 

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Há dois anos, Jorge Luis Aguirre atendeu seu celular enquanto ia ao funeral assassinado por membros do crime organizado. "Você é o próximo", advertiu a ele a voz do outro lado da linha.

 

Aguirre fugiu a El Paso, no Texas, após ser ameaçado em 2008, quando era repórter em Ciudad Juárez, cidade epicentro da violência relacionada aos cartéis de narcotraficantes que faz fronteira com o município americano.

 

Não se sabe com precisão quem ameaçou o jornalista. Aguirre declarou a um comitê do Senado americano que as autoridades do estado de Chihuahua não gostaram das críticas que fez a um procurador e decidiram adotar táticas semelhantes às dos cartéis.

 

"Eu acreditei que era uma perseguição política", disse Aguirre à AP. "Me ameaçaram muitas vezes e me escreveram, e apresentei tudo, denúncias, depoimentos, tudo".

 

As ameaças de morte são o motivo pelo qual milhares de mexicanos pedem asilo aos Estados Unidos a cada ano, mas só uma pequena parte deles é aprovada.

 

Advogados dizem que a decisão a favor de Aguirre, editor do site lapolaka.com, poderia abrir o caminho para outros repórteres que cobrem a guerra do narcotráfico.

 

A violência contra a imprensa tem aumentado desde que o governo mexicano lançou uma campanha militar contra o narcotráfico, quando o presidente Felipe Calderón assumiu o poder, em dezembro de 2006.

 

Carlos Spector, advogado de El Paso, acompanha casos de asilo para quatro jornalistas, incluindo um que passou sete meses preso em um centro de detenção de imigrantes.

 

"O que mudou é a situação no México, onde já é impossível negar a realidade", disse Spector.

 

O processo de asilo não é público e as autoridades americanas se negaram a comentar casos individuais pela necessidade de proteger os solicitantes.

 

Desde 2000, 65 jornalistas foram assassinados no México, de acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos, o que converte o país no mais perigoso para o exercício jornalístico.

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