Desmond Boylan/Reuters
Desmond Boylan/Reuters

Jornalista se diz surpreso com recuo de Fidel sobre modelo cubano

Segundo Jeffrey Goldberg, líder já havia dito coisas parecidas sobre falência do sistema da ilha

ESTEBAN ISRAEL, REUTERS

13 de setembro de 2010 | 20h16

Um jornalista norte-americano a quem Fidel Castro declarou que o sistema cubano já não serve mais afirmou nesta segunda-feira, 13, estar "surpreso" com a retificação apresentada pelo ex-presidente depois da publicação da entrevista.

Fidel disse na sexta-feira que sua declaração a Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic Monthly, significava na verdade que é o capitalismo que não serve.

"Não sei como se pode interpretar a frase 'O modelo cubano já não funciona nem sequer para nós' como o contrário", disse Goldberg em teleconferência com jornalistas organizada pelo Conselho de Relações Exteriores, entidade de Washington que também participou da entrevista por intermédio da pesquisadora Julia Sweig.

"Surpreendeu-me o discurso em que (Fidel) disse ter sido mal interpretado, não só porque disse coisas parecidas antes, mas porque a realidade subjacente em Cuba mostra que o modelo cubano não funciona, e é por isso que estão começando uma experiência de privatização em grande escala", acrescentou.

Muitos analistas viram na entrevista de Fidel um sinal de reformas no regime comunista, agora dirigido por seu irmão Raúl.

Mas Fidel disse na sexta que suas palavras foram tomadas "ao pé da letra", e significavam "exatamente o contrário".

Na segunda-feira, no entanto, o governo anunciou que 500 mil empregos públicos serão extintos nos próximos seis meses, para dar mais espaço à iniciativa privada.

Fidel, de 84 anos, passou quatro anos afastado da vida pública, quando deixou a presidência para Raúl devido a problemas de saúde. Recentemente, voltou a aparecer, principalmente para fazer alertas sobre o risco de uma guerra nuclear envolvendo EUA, Israel e Irã.

Muitos analistas dizem que a volta do veterano revolucionário à vida pública pode frear reformas planejadas por Raúl. Mas a pesquisadora Sweig disse na segunda-feira que não notou divergências entre os dois.

"Ele não está bloqueando os esforços do seu irmão. De muitas maneiras, os temas em que não se envolve e as coisas de que não falam indicam que ele aprova o caminho implementado por seu irmão", afirmou ela na mesma.

"Ele tem 84 anos, esteve muitíssimo doente, e parece estar abrindo um novo capítulo da sua vida, em que não se envolve no dia a dia do governo como antes."

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