Jornalistas da cidade mais violenta do México pedem proteção à ONU

Em dois anos, mais de 1.700 pessoas foram mortas em guerra narcotráfico em Cuidad Juárez

Efe

18 de agosto de 2010 | 03h28

CIUDAD JUÁREZ - Profissionais de imprensa de Ciudad Juárez, localidade mais violenta do México, pediram ao relator especial para a Liberdade de Expressão da ONU que o jornalismo seja considerado um trabalho de alto risco, e requisitaram apoio para tirar do país comunicadores em situação de perigo.

O relator especial Frank La Rue manteve em Ciudad Juárez, fronteiriça com a americana El Paso (no estado americano do Texas), uma reunião de mais de duas horas com 20 repórteres, fotógrafos, editores e operadores de câmera de diferentes veículos para se inteirar da situação.

La Rue considerou que Ciudad Juárez é "o lugar mais crítico de todo o país" para exercer o jornalismo e reconheceu o risco que correm os jornalistas locais.

Após a reunião, o relator especial da ONU disse ter percebido "muita frustração e ceticismo", e afirmou sentir-se "mais convencido de que este é momento crítico".

Desde 2008, Ciudad Juárez é considerada a localidade mais violenta do México pelo número de assassinatos. Neste ano mais de 1.700 pessoas morreram em incidentes atribuídos à guerra entre grupos rivais do narcotráfico, uma média de oito por dia.

Os jornalistas pediram ao relator que pressione o estado mexicano, com a finalidade de criar, juridicamente, medidas que permitam a investigação de abusos contra comunicadores.

Em Ciudad Juárez, desde o ano 2000, 27 jornalistas foram assassinados em represália por suas informações, segundo a informação do Comitê de Proteção aos Jornalistas, com sede em Nova York.

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